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Agricultura: setor exige políticas de incentivo à formação técnica

23/06/2022
“O conhecimento na agricultura do futuro’ foi o mote para um debate entre especialistas que recentemente se reuniram no Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa, para discutir caminhos e soluções para uma maior eficiência económica e ambiental do setor.
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Numa conferência que contou com a presença de Maria do Céu Antunes, ministra da Agricultura e da Alimentação, os especialistas apontaram a necessidade de criar políticas de incentivo à formação técnica que estimulem os agricultores a encontrar respostas para as exigências ambientais e económicas atuais.

“Apesar de existir muita informação disponível, nem sempre o conhecimento está facilmente acessível aos agricultores. A nossa equipa conta com mais de quatro mil técnicos de terreno em todo o mundo, com centros de investigação próprios, nomeadamente o Centro Mundial de Inovação, e com mais de 250 parcerias de investigação, pelo que entendemos que devemos contribuir para a criação de conhecimento em Nutrição Vegetal”, destaca Rui Rosa, Presidente da Vitas Portugal, promotora do primeiro curso de capacitação em nutrição vegetal a nível nacional.

Foi com este propósito que a Vitas Portugal e o Instituto Superior de Agronomia (ISA) assinaram um memorando de entendimento no âmbito da investigação em projetos nacionais e internacionais, assim como o desenvolvimento de planos, estudos e projetos, contribuindo para a capacitação técnica e para a criação de estágios científicos e técnicos de interesse comum. O memorando de entendimento pretende ainda ser a base de uma estreita colaboração entre a Vitas Portugal e o ISA, que se concretiza já num projeto na área da formação no setor da agricultura, com arranque previsto para o segundo semestre de 2022 em todo o País.

“A necessidade de aumentar a eficiência da utilização dos nutrientes aplicados às culturas, tanto por motivos ambientais com económicos, tem levado a uma grande evolução do conhecimento na área da nutrição e da fertilização das culturas. Na União Europeia, este conhecimento é fulcral para que as metas definidas na estratégia ‘do Prado ao Prato’ sejam atingidas. O ISA é a escola de referência do Ensino Superior Agrário e é sua missão gerar conhecimento, promover a inovação e transferir conhecimento e tecnologia, sendo neste contexto que surgem os cursos em parceria com empresas líder do setor”, refere Henrique Manuel Ribeiro, Professor de Nutrição Vegetal, Fertilidade do Solo e Fertilização das Culturas, responsável do Curso em Nutrição Vegetal.
Com os contributos da PH+ e da Agroges, a Vitas Portugal e o ISA preparam-se para formar a primeira geração de nutricionistas de plantas, com arranque dos trabalhos agendado já para o início de julho, o que “permitirá um reforço das competências técnicas de base, mas igualmente um melhor conhecimento dos novos fertilizantes e das novas tecnologias de aplicação. A formação é ainda ministrada sob a forma convencional e justifica-se uma nova abordagem centrada no incremento da eficiência da utilização de fertilizantes, permitindo o fornecimento de cada vez menor quantidade de fertilizantes, mas de uma qualidade e diversidade muito superior conseguindo o melhor desenvolvimento das culturas e sem impactos ambientais negativos” na opinião de Francisco Avillez, Coordenador Científico e Metodológico da Agroges.

Por sua vez, a PH + considera que “nesta era marcada por intensas mudanças, a formação contínua é essencial para o sucesso profissional. Na área da agricultura, as necessidades de formação são elevadas, porque a formação de base é baixa e as mudanças serão particularmente exigentes. Este curso de nutrição vegetal colocará os participantes num patamar profissional qualitativamente superior”, refere Paulo Vitória, psicólogo, que afirma que “o curso conjuga conhecimentos das ciências agrícolas e comportamentais para promover a melhor aprendizagem na componente técnica e facilitar a gestão eficaz das mudanças que condicionam a aplicação das boas práticas agrícolas”.

“O potencial de novas investigações é importante. Mas podemos transferir conhecimento para produzir soluções locais. A questão da produção e escassez de alimentos passa pelo nosso contributo para encontrar soluções para minimizar os problemas”, remata Pedro Jordão, Investigador do INIAV.
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