REPORTAGEM 25 grama ‘Água que Une, à burocracia associada ao recente ‘comboio de tempestades’, passando pela integração e simplificação contratual da mão de obra imigrante – obrigam a um maior conhecimento da fileira, que deve ser congregado numa “estratégia nacional” através da criação de um “observatório com metodologias”, com “o apoio da tutela”, como defendeu Carlos Adão. Já o presidente da CAP sublinhou o potencial de crescimento de toda a fileira dos pequenos frutos – motivo para a escolha do tema na próxima Feira Nacional de Agricultura, em junho –, a qual registou, em 2025, 398 milhões de euros em exportação; e, em particular, os resultados da exportação de mirtilos, que ascendeu aos 59 milhões de euros, com um preço médio de 6,3 euros por quilo de produto exportado. QUALIDADE DEFINE O CONSUMIDOR DO MIRTILO O primeiro painel, dedicado às tendências de produção e consumo no mercado, reuniu Gustavo Yentzen, da IBO - International Blueberry Organization, Francisco Gambôa Vicente, da Sonae e Eduardo Bremm, da Driscoll's, num debate que retratou o consumo de mirtilo e as tendências dos mercados europeu, ibérico e português, sob a moderação de Gonçalo dos Santos Andrade, da Portugal Fresh. O consumidor deste fruto define-se pela exigência de qualidade, apresentando um perfil que privilegia a alimentação saudável e as compras biológicas, incluindo snackings. Seguiu-se uma sessão sobre gestão de explorações nas operações de pré e pós-colheita, onde foram apresentadas ferramentas e estratégias para tornar as produções mais eficientes, sustentáveis e competitivas, bem como as mudanças no quadro de apoio e investimento agrícola na Europa. O objetivo é alcançar consistência face às exigências da aparência e sabor da fruta. Moderado por Luís Mira, da CAP, o painel reuniu as participações de Paula del Valle, da MyBlueProject, Hugo Botelho, da Bfruit, Diogo Oliveira, da O'baga e Pedro Santos, da Consulai. Já no terceiro painel, que, numa análise ao estado-da-arte da investigação científica na fileira, contou com as presenças de Luca Mazzoni, da Università Politecnica delle Marche, Erik Veenman, da Vivent Biosignals e Diogo Machado, da Green Factor, com a moderação de Carmo Martins, do COTHN, os temas abordados foram as estratégias para melhorar a qualidade do fruto, a identificação precoce de stress por impulso elétrico e as experiências práticas com bioestimulação. A influência da genética na qualidade do fruto foi amplamente debatida. O último painel analisou a inovação e as tecnologias aplicadas à fileira do mirtilo, como a aplicação de IA na produção e na identificação de pragas e doenças e a colheita mecânica de mirtilos. Moderado por Domingos dos Santos, da FNOP, reuniu o conhecimento científico de André Barriguinha, da Universidade NOVA Information Management School, e de Pedro Henrique Fernandes Moura, do INESC TEC, com a experiência em tecnologia agrícola especializada na colheita de mirtilos da FineField, pela voz de Marcel Beelen. O primeiro dia encerrou com a 'Mesa de Produtores', um debate aberto onde se discutiram o marketing da fruta portuguesa, as competências técnicas nas explorações e o futuro do setor, num contexto onde a falta de mão-de-obra, o peso da burocracia, a necessidade de aumentar o consumo interno e o reforço da exportação constituem os principais desafios. O habitual espaço de discussão nos encontros da ANPM foi desta vez moderado por Pedro Brás de Oliveira, do INIAV, reunindo os produtores Fernando Azevedo (Minhoberrycoop), Maria João Raro (Maio Verde), Nuno Melo (Valle de Santa Cristina), Nuno Silveira (Visionagro) e Pedro Aguiar (Campo Blue). A análise de todas estas temáticas na conferência dedicada à qualiNa área de exposições, dezenas de empresas apresentaram as suas soluções para o setor do mirtilo.
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