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6 SUMÁRIO Edição, Redação e Propriedade INDUGLOBAL, UNIPESSOAL, LDA. Avenida Defensores de Chaves, 15, 3.º F 1000-109 Lisboa (Portugal) Telefone (+351) 215 935 154 E-mail: geral@interempresas.net NIF PT503623768 Gerente Aleix Torné Detentora do capital da empresa Grupo Interempresas Media, S.L. (100%) Diretora Gabriela Costa Equipa Editorial Gabriela Costa, Ángel Pérez, Alejandro de Vega Marketing e Publicidade Frederico Mascarenhas, Nuno Canelas redacao_agriterra@interempresas.net www.agriterra.pt Preço de cada exemplar 11 € (IVA incl.) Assinatura anual 55 € (IVA incl.) Registo da Editora 219962 Registo na ERC 127451 Depósito Legal 471809/20 Distribuição total +5.300 envios Distribuição digital a +4.200 profissionais. Tiragem +1.100 cópias em papel Edição Número 26 – Maio de 2026 Estatuto Editorial disponível em www.agriterra.pt/EstatutoEditorial.asp Impressão e acabamento Lidergraf Rua do Galhano, n.º 15 4480-089 Vila do Conde, Portugal www.lidergraf.eu Media Partners: Os trabalhos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos editoriais desta revista sem a prévia autorização do editor. A redação da Agriterra adotou as regras do Novo Acordo Ortográfico. ATUALIDADE 8 EDITORIAL 9 Agriterra debate 'A Vinha do Futuro' a 19 de maio, em Setúbal 14 II Congresso Ibérico de Oleicultura debate lagar como vetor estratégico em Beja 16 Pequenos frutos marcam edição deste ano de Feira Nacional de Agricultura 18 “O futuro dependerá da capacidade de qualificar pessoas, integrar tecnologia e valorizar o trabalho agrícola” 20 “O tema da qualidade reflete uma prioridade clara: produzir melhor, com mais valor” 24 Entrevista a Marco Campos, service leader – Trane Portugal 28 O renascimento da vinha em Portugal: da talha ao solo vivo 32 Míldio: como proteger a vinha com eficácia e inovação 36 Comissão de Agricultura do PE aprova ‘Wine Package’ com novas regras para o setor vitivinícola 40 Prejuízos somam 1,7 milhões de euros só no concelho de Alenquer 42 Sustentabilidade e rentabilidade: chegou a hora de acabar com o falso dilema 44 Entrevista a Jorge Neves, presidente da ANPROMIS 46 Culturas de cobertura e biodiversidade em debate em Dia Aberto dedicado ao solo 50 Os cereais e a importância da criação de uma organização de produtores 52 Controlo de nível fiável e seguro para silos agrícolas 54 Agricultura e territórios rurais em Portugal no ‘fio da navalha’ 56 Expoflorestal assinala 14.ª edição como referência da fileira florestal 58 Navigator reforça apoio aos produtores afetados pela tempestade Kristin 60 StayUpon adere ao projeto ‘Criar Bosques’ e reforça compromisso com a sustentabilidade 62 Governo cria falsas expetativas e falha no apoio aos agricultores 64 Campanha 'Luz verde para novas colheitas’ antecipa decisões e alivia constrangimentos financeiros 66 Maquinaria agrícola acelera t ransformação com foco em eficiência e precisão 68 A robótica nas culturas de alto valor 74 Grades rápidas Herculano (HGR) 80 CLAAS Ibérica alcança mais um sucesso com a sua ‘Fábrica Verde’ 82 Matrículas de tratores agrícolas com crescimento homólogo de 35% 88 O pneu BKT concebido para a lavoura rotativa na primavera 90
INOVAÇÃO NA AGRICULTURA COM ÁCIDOS FÚLVICOS ® VANTAGENS • Melhor assimilação do elemento químico; • Aumento da taxa de fotossíntese (+ clorofila); • Acelera a divisão celular; • Aumenta a vida microbiana dos solos; • Estimula o desenvolvimento radicular; • Menor lixiviação do elemento químico; • Mais retenção de Água; • Menor evaporação de Água. A TECNIFERTI® desenvolveu uma nova linha de fertilizantes líquidos com ácidos fúlvicos (AF) e com vários equilíbrios N, NK, NP, NPK, Cálcio, Magnésio e Carbono Orgânico. Os ácidos fúlvicos têm uma ação reconhecida no metabolismo e crescimento das plantas, influenciando a absorção e transporte de nutrientes. São solúveis em água e embora semelhantes estruturalmente aos ácidos húmicos, apresentam um menor peso molecular, maior quantidade de compostos fenólicos e de grupos carboxílicos e uma menor quantidade de estruturas aromáticas. Estas características conferem-lhes melhor solubilidade em água e maior capacidade de troca catiónica. A influência dos ácidos fúlvicos na estrutura física do solo ocorre através da maior retenção de água, melhoria do arejamento e por consequência maior resistência à erosão devido às suas partículas coloidais que são capazes de formar uma emulsão em contacto com a água. Como agentes complexantes desfavorecem a manutenção de iões metálicos na solução do solo promovendo a redução da toxicidade destes elementos. Os ácidos fúlvicos aumentam ainda o poder tampão dos solos reduzindo as variações de PH. FERTILIZANTE DENSIDADE (g/cm³) ** COMPOSIÇÃO FULVICOT 0 0% N / 0% P2O5 / 12% K2O / 3,5% AF 1,15 FULVICOT 2 2% N / 2% P2O5 / 10% K2O / 3,5% AF 1,17 FULVICOT 3 3% N / 0% P2O5 / 12% K2O / 2,5% AF 1,17 FULVICOT 3 PC 3% N / 0% P2O5 / 10% K2O / 3,5% AF PC «pobre em cloro» 1,15 FULVICOT 4 4% N / 13% P2O5 / 8% K2O / 3,5% AF 1,28 FULVICOT 5 5% N / 2% P2O5 / 10% K2O / 3,5% AF 1,20 FULVICOT 6 6% N / 3% P2O5 / 9% K2O / 3,5% AF 1,21 FULVICOT 6 PC 6% N / 3% P2O5 / 9% K2O / 3,5% AF PC «pobre em cloro» 1,20 FULVICOT 6A 6% N / 0% P2O5 / 9% K2O / 3,5% AF 1,17 FULVICOT 7 7% N / 21% P2O5 / 9% K2O / 3,5% AF 1,30 FULVICOT 8 8% N / 7% P2O5 / 8% K2O / 3,5% AF 1,25 FULVICOT 9 9% N / 3% P2O5 / 9% K2O / 3,5% AF 1,22 FULVICOT 9 PC 9% N / 3% P2O5 / 9% K2O / 3,5% AF PC «pobre em cloro» 1,21 FULVICOT 11 11% N / 5% P2O5 / 5% K2O / 3,5% AF 1,24 FULVICOT 12 PC 12% N / 3% P2O5 / 6% K2O / 3,5% AF PC «pobre em cloro» 1,22 FULVICOT 16 16% N / 8% P2O5 / 4% K2O / 3,5% AF 1,31 FULVICOT 20 20% N / 3% P2O5 / 3% K2O / 3,5% AF 1,27 FULVICOT 26 CaO 26% N / 0% P2O5 / 0% K2O / 3% CaO / 1% AF 1,34 FULVICOT 27 S 27% N / 0% P2O5 / 0% K2O / 2% S / 3,5% AF 1,29 FULVICOT 28 28% N / 0% P2O5 / 0% K2O / 3,5% AF 1,29 FULVICOT 28 Mg 28% N / 0% P2O5 / 0% K2O / 0,2% MgO / 3,5% AF 1,29 FULVICOT 28 Z 28% N / 0% P2O5 / 0% K2O / 0,2% Zn / 3,5% AF 1,29 FULVICOT CaO 8% N / 0% P2O5 / 0% K2O / 14% CaO / 2% AF 1,42 FULVICOT CaO MgO 7,5% N / 0% P2O5 / 0% K2O / 9% CaO / 4% MgO / 2% AF 1,42 FULVICOT CaO MgO B 5% N / 0% P2O5 / 0% K2O / 6% CaO / 3% MgO / 0,3% B / 1% AF 1,26 FULVICOT K CaO 4% N / 0% P2O5 / 6% K2O / 8% CaO / 2% AF 1,29 ** Os valores apresentados podem oscilar (+/-) 0,02 g/cm AF Ácidos Fúlvicos PC Pobre em Cloretos
8 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.AGRITERRA.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER Parlamento Europeu aprova redução de tarifas dos EUA com condições e limite até 2028 O Parlamento Europeu aprovou a sua posição sobre a redução de direitos aduaneiros para produtos dos Estados Unidos, impondo condições rigorosas, mecanismos de suspensão e um prazo de validade para as medidas, segundo um comunicado da instituição. O Parlamento Europeu aprovou a 26 de março, a posição sobre duas propostas legislativas que permitem reduzir direitos aduaneiros sobre produtos norte-americanos, no âmbito do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. A decisão, tomada em sessão plenária, estabelece que estas reduções só avançam mediante o cumprimento de um conjunto de condições por parte dos EUA. De acordo com o comunicado do Parlamento Europeu, as medidas em causa preveem a eliminação da maioria das tarifas sobre produtos industriais dos EUA e a concessão de acesso preferencial ao mercado europeu para vários produtos do mar e agrícolas, em linha com o acordo alcançado entre as duas partes em 2025. No entanto, os eurodeputados introduziram salvaguardas que condicionam a aplicação destas vantagens comerciais. Uma das principais é a possibilidade de suspender as preferências concedidas, caso os EUA imponham novas tarifas, ultrapassem o limite máximo acordado de 15% ou adotem medidas consideradas prejudiciais para a União Europeia. Outra condição essencial é que as reduções tarifárias só entram em vigor se os EUA cumprirem os compromissos assumidos. Entre estes está a limitação das tarifas aplicadas a produtos europeus, nomeadamente os que incluem aço e alumínio. Se isso não acontecer, algumas das vantagens concedidas pela UE poderão ser retiradas poucos meses após a sua aplicação. O Parlamento definiu ainda que este regime terá caráter temporário, devendo terminar a 31 de março de 2028, salvo decisão em contrário. Qualquer prolongamento dependerá de uma nova proposta legislativa, baseada numa avaliação dos impactos do acordo. A Comissão Europeia ficará responsável por acompanhar os efeitos destas medidas e poderá intervir, suspendendo temporariamente as tarifas reduzidas, caso as importações provenientes dos EUA aumentem a um nível que cause prejuízos significativos à indústria europeia. Citado no comunicado, o relator Bernd Lange afirmou que o Parlamento pretende garantir condições “muito sólidas e claras” antes de aceitar o acordo final, sublinhando que as concessões comerciais dependem do cumprimento integral dos compromissos por parte dos Estados Unidos. Com esta votação, os eurodeputados ficam mandatados para iniciar negociações com os Estados-Membros, que irão definir a versão final da legislação.
Custos sobem e pressionam produção agrícola mundial A interrupção do corredor comercial do Estreito de Ormuz está a gerar impactos significativos nos mercados globais de energia, fertilizantes e sistemas agroalimentares, alertou o economistachefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Máximo Torero, durante um briefing nas Nações Unidas. Segundo o responsável, a escalada do conflito no Médio Oriente provocou uma redução superior a 90% no tráfego de navios petroleiros nesta rota estratégica, por onde transitam diariamente cerca de 20 milhões de barris de petróleo, representando aproximadamente 35% dos fluxos globais de crude, além de uma parte relevante do comércio mundial de gás natural liquefeito e fertilizantes. Máximo Torero sublinhou que “não se trata apenas de um choque energético, mas de um choque sistémico que afeta os sistemas agroalimentares a nível global”. A região do Golfo é responsável por cerca de metade do comércio mundial de enxofre, essencial na produção de fertilizantes fosfatados, o que poderá comprometer cadeias de abastecimento críticas. A crise está também a pressionar os custos logísticos e de seguros marítimos. Os prémios de risco de guerra aumentaram de 0,25% para valores até 10% do valor das embarcações, com revisões semanais das coberturas, dificultando a normalização do transporte internacional mesmo em cenários de desescalada. No setor agrícola, os efeitos já se refletem no aumento dos custos de produção. Os preços dos fertilizantes registaram subidas significativas, com destaque para a ureia granular do Médio Oriente (+19%) e do Egito (+28%) na primeira semana de março. A FAO estima que os preços globais dos fertilizantes possam aumentar entre 15% e 20% no primeiro semestre de 2026, caso a crise persista. EDITORIAL Numa edição especial que marca presença em cinco eventos do setor, a expetativa recai, antes de mais, na Conferência Técnica da Vinha 2026, que a Agriterra organiza a 19 de maio. Com a presença de Francisco Toscano Rico, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, em representação do ministro da Agricultura, o debate sobre ‘A Vinha do Futuro’ reúne no Auditório Nobre do Instituto Politécnico de Setúbal um painel de especialistas em vitivinicultura, que irão analisar o impacto da tecnologia, do clima e da sustentabilidade neste setor que encontra na península entre o Tejo e o Sado forte tradição vitivinícola. A não perder. Logo no dia seguinte, o Grupo Interempresas e a Vilcon realizam em Beja o II Congresso Ibérico de Oleicultura, que debate ‘O lagar como novo vetor estratégico de geração de tendência’. O encontro leva à cidade epicentro do cultivo da oliveira e produção de azeite um conjunto de especialistas ibéricos que irão analisar temáticas como o impacto dos lagares de vanguarda no rendimento agrícola, a nova área de negócio dos subprodutos da oliveira, a modernização dos processos produtivos e de cultivo e a repercussão dos grandes volumes de azeite no mercado. O Congresso conta com os media partners das revistas Agriterra e Almazaras. Segue-se, entre 6 e 14 de junho, a Feira Nacional de Agricultura, que este ano dedica a sua edição à temática ‘O poder dos pequenos frutos’, um segmento em crescimento impulsionado pela sofisticação e competitividade dos mercados. A par da habitual montra expositiva, o CNEMA acolhe um programa de conferências e talks sobre os grandes desafios agrícolas do momento, de que daremos conta na cobertura da feira, da qual somos igualmente parceiros de comunicação. Bem a propósito, apoiámos o recente Encontro Nacional de Produtores de Mirtilo, que reuniu, também em Santarém, mais de 300 participantes, numa análise aos ‘Caminhos para a Qualidade’ de uma fileira que atingiu maturidade, ocupando já quase 3.000 hectares em Portugal. Em dossier, destaque para os setores da viticultura, da maquinaria agrícola, da floresta (onde damos conta das novidades tecnológicas em demonstração, no final de maio, em Albergaria-a-Velha) e do milho - incluindo uma entrevista ao presidente da ANPROMIS, que atualiza as conclusões do XVI Congresso do Milho à luz do agravamento dos custos de produção. Last but not least, a entrevista à Trane, tema de capa, que, num cenário em que as condições climáticas são imprevisíveis e a evolução tecnológica é determinante, defende que é “inevitável o uso de soluções de armazenamento com temperatura controlada, para preservar produtos sensíveis e evitar perdas” na agricultura. Boa leitura. Vinha do futuro em debate a 19 de maio, em Setúbal
10 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.AGRITERRA.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER A agricultura portuguesa está preparada para os desafios dos próximos anos? A CATÓLICA-LISBON | Executive Education lançou no dia 10 de abril o programa Strategic Agribusiness Management, desenvolvido para responder aos desafios estruturais que o setor agrícola enfrenta e apoiar os seus profissionais na tomada de decisões estratégicas. Entre a pressão das alterações climáticas, a gestão eficiente da água, as exigências da Política Agrícola Comum (PAC) e a necessidade de aumentar a produtividade de forma sustentável, o setor agrícola enfrenta hoje um dos períodos mais exigentes da sua história. Para acompanhar esta evolução, os produtores e empresários do setor agroalimentar precisam, cada vez mais, de reforçar competências em gestão estratégica e inovação. O programa Strategic Agribusiness Management, da CATÓLICA-LISBON | Executive Education, foi desenvolvido para responder a estes desafios e apoiar profissionais do setor na tomada de decisões estratégicas. Portugal Fresh anuncia investimento recorde de 2,7 milhões de euros até 2027 A Portugal Fresh vai avançar com um plano estratégico de promoção e internacionalização até 2027, no valor de 2,7 milhões de euros. Trata-se do maior investimento da sua história e inclui uma forte aposta na presença internacional, na diversificação de mercados e na criação de uma estrutura interprofissional para o setor hortofrutícola. A Portugal Fresh - Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores, anunciou um investimento recorde de 2,7 milhões de euros até 2027, no âmbito de um plano estratégico de promoção e internacionalização. Este é o maior investimento realizado pela associação ao longo dos seus 16 anos de atividade. A estratégia de crescimento da Portugal Fresh é cofinanciada pela União Europeia, no âmbito dos programas Portugal 2030 e Compete 2030. A estratégia definida para os próximos dois anos assenta no reforço da presença nos mercados externos, com uma agenda internacional que contempla a participação em quatro das principais feiras do setor: Fruit Attraction Madrid, Fruit Logistica Berlim, IPM Essen e Fruit Attraction São Paulo, nas edições de 2026 e 2027. Paralelamente, está prevista a realização de duas missões empresariais de prospeção, aos Estados Unidos da América e ao Chile, bem como o alargamento da atuação a mercados considerados estratégicos e de elevado potencial, nomeadamente a China, os Emirados Árabes Unidos e a Índia, através de ações de promoção e prospeção comercial.
11 Portugal Nuts promove V Congresso dedicado à competitividade dos frutos secos A Portugal Nuts organiza, a 26 de maio, em Évora, a quinta edição do Congresso Portugal Nuts, centrada nos principais fatores que condicionam a competitividade do setor, desde a geopolítica às alterações climáticas, passando pela inovação e pelas exigências do mercado. A Associação Promoção Frutos Secos - Portugal Nuts vai promover, no próximo dia 26 de maio, o V Congresso Portugal Nuts, que terá lugar no Hotel Vila Galé Évora. Subordinado ao tema ‘A Competitividade dos Frutos Secos’, o encontro reunirá um painel de oradores nacionais e internacionais com reconhecida experiência no setor. De acordo com a organização, o congresso pretende analisar a competitividade atual e futura da fileira dos frutos secos em Portugal, colocando em discussão um conjunto de desafios estruturais. Entre estes, destacam-se os impactos da conjuntura geopolítica, nomeadamente ao nível do acesso e custo de fatores de produção, como fertilizantes e fitofármacos, bem como a influência das políticas agrícolas e económicas europeias. Outro dos eixos centrais do debate será o enquadramento produtivo, com foco nas alterações climáticas, nos riscos associados e nas soluções disponíveis para reforçar a resiliência do setor. Serão também abordadas ferramentas, produtos e serviços que contribuem para a melhoria da produtividade e da sustentabilidade das explorações. O congresso irá ainda explorar o papel dos frutos secos na indústria e no retalho alimentar, tanto numa perspetiva global como futura, tendo em conta a crescente exigência competitiva e a necessidade de adaptação a critérios de sustentabilidade.
A INOVAÇÃO QUE CULTIVA O FUTURO
CONFERÊNCIA TÉCNICA DA VINHA 2026 14 Agriterra debate 'A Vinha do Futuro' a 19 de maio, em Setúbal A 19 de maio, no Instituto Politécnico de Setúbal, um painel de especialistas em vitivinicultura irá debater, perante uma plateia de centenas de profissionais do setor, o impacto da tecnologia, do clima e da sustentabilidade na vinha do futuro. A conferência da Agriterra conta ainda com a presença de Francisco Toscano Rico, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, em representação do ministro da Agricultura. A participação na Conferência Técnica da Vinha 2026 é gratuita, mas de registo obrigatório. Gabriela Costa Dedicado à vinha do futuro, o encontro organizado pela Agriterra realiza-se na Península de Setúbal, região de forte tradição vitivinícola, e será um ponto de encontro entre produtores, responsáveis de explorações vitícolas, engenheiros agrónomos e técnicos, enólogos, empresas e consultores agrícolas, de serviços e de tecnologia aplicados à vitivinicultura, investigadores e académicos, administração pública, entidades do setor e decisores do setor. Sob o mote ‘Tecnologia, clima e sustentabilidade na vitivinicultura do futuro’, a Conferência Técnica da Vinha 2026 visa promover uma reflexão estratégica sobre os desafios e oportunidades que marcam o presente e o futuro da vinha em Portugal. Para tanto, o evento conta já com as parcerias estratégicas do INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, da CVRPS - Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, do ISA - Instituto Superior de Agronomia, do COTR - Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio e do LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture And Food. O Crédito Agrícola e a CarmoFarm (área de negócio do grupo Carmo Wood) são patrocinadores premium da Conferência Técnica da Vinha, que tem também o patrocínio da Biostasia e da Consulai e a colaboração da Fertiberia Tech – ADP Fertilizantes. Após a sessão inaugural, às 9:00 horas, a cargo de Francisco Toscano Rico, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, em representação do ministro da Agricultura, Gabriela Costa, diretora da Revista Agriterra e Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), o keynote speaker do encontro, José Silvestre, investi-
CONFERÊNCIA TÉCNICA DA VINHA 2026 15 gador auxiliar do INIAV, terá a cargo a palestra ‘A vinha do futuro: como produzir vinho num novo contexto climático, económico e tecnológico’. A não perder, às 9:30, no Auditório Nobre do Edifício ESCE (Escola Superior de Ciências Empresariais) do Instituto Politécnico de Setúbal. A V Conferência Técnica Agriterra prossegue, às 10:00, com a primeira mesa redonda da manhã, intitulada ‘Produzir melhor com menos: sustentabilidade e eficiência na vitivinicultura’, e que contará com as participações de Joaquim Miguel Costa, professor auxiliar e investigador no ISA, José Núncio, presidente da FENAREG, Filipa Saldanha, diretora de Sustentabilidade do Crédito Agrícola e Carlos Gabirro, CEO da Biostasia. A sessão será moderada por Henrique Soares, presidente da CVRPS. Pelas 11:00, Tiago Cardoso, responsável comercial para Portugal da CarmoFarm, apresenta o painel 'CarmoFarm – soluções inovadoras para o setor vitivinícola'. Depois do coffee-break, o evento retoma às 11:45 com a apresentação do 'Projeto AdvisoryNetPEST – novas abordagens para redução do uso de pesticidas na vinha', a cargo de Francisca Viveiros, senior consultant | Research & Innovation da CONSULAI e Luís Constantino, responsável de Viticultura. Na segunda mesa redonda, agendada para as 12:15, estão confirmadas as presenças de Rui Costa Martins, Investigador Senior do INESC TEC, Miguel Cachão, técnico da AVIPE - Associação de Viticultores do Concelho de Palmela, Gonçalo Rodrigues, professor auxiliar do ISA, e Gonçalo Morais Tristão, presidente da Direção do COTR (moderador da sessão), que irão analisar a ‘Inovação tecnológica e digital como motor da competitividade na vitivinicultura’. A exemplo das conferências técnicas sobre produção agrícola anteriormente realizadas pelos Encontros Profissionais Induglobal, é esperada a participação de centenas de participantes. CONCILIAR QUALIDADE COM SUSTENTABILIDADE, TECNOLOGIA E COMPETITIVIDADE Num contexto cada vez mais exigente, marcado pelas alterações climáticas, pela pressão regulatória europeia, pelo aumento dos custos de produção, pela escassez de recursos e pela crescente exigência dos mercados, a vitivinicultura enfrenta a necessidade de se adaptar e evoluir. Produzir uvas de qualidade, assegurando a sustentabilidade ambiental, a eficiência produtiva e a rentabilidade económica, é hoje um desafio central para o setor. Com o objetivo de promover a partilha de conhecimento, o debate técnico e a apresentação de soluções práticas, esta conferência irá abordar as principais estratégias para aumentar a resiliência das explorações vitícolas. A gestão eficiente da água, a adaptação às alterações climáticas, a inovação tecnológica, a agricultura de precisão e a transição para modelos de produção mais sustentáveis estarão no centro da discussão. A V Conferência Técnica Agriterra – A Vinha do Futuro afirma-se como um momento de encontro entre ciência, tecnologia e prática agrícola, contribuindo para uma vitivinicultura mais preparada para os desafios do futuro, mais eficiente, sustentável e competitiva. A área de networking permitirá o contacto direto entre participantes e patrocinadores e parceiros, criando um espaço privilegiado para a apresentação de soluções tecnológicas, equipamentos e serviços aplicados à vitivinicultura. Este espaço visa promover a troca de conhecimento, o estabelecimento de parcerias e a criação de oportunidades de negócio, aproximando a inovação da prática vitícola. Se ainda não se inscreveu, reserve já o dia 19 de maio na sua agenda e garanta a sua presença na Conferência Técnica da Vinha 2026, que terá lugar no Edifício ESCE, no Auditório Nobre do Instituto Politécnico de Setúbal. n A Conferência Técnica da Vinha 2026: ‘Tecnologia, clima e sustentabilidade na vitivinicultura do futuro’ é dinamizada no âmbito dos Encontros Profissionais B2B da Induglobal, do Grupo Interempresas, com o suporte técnico da Fakoy. As INSCRIÇÕES são gratuitas, mas de registo obrigatório: https://encontrosprofissionais.induglobal.pt/Vinha2026/ inscripcion Consulte o PROGRAMA provisório: https://encontrosprofissionais.induglobal.pt/Vinha2026/ programa
II CONGRESSO IBÉRICO DE OLEICULTURA 16 II Congresso Ibérico de Oleicultura debate lagar como vetor estratégico em Beja Beja é a cidade eleita para a realização da segunda edição do Congresso Ibérico de Oleicultura, que terá lugar a 20 de maio, no Edifício NERBE da Aebal. O encontro dirigido a profissionais do mundo do azeite é organizado conjuntamente pela Vilcon e pelo Grupo Interempresas. As inscrições são gratuitas, mas de registo obrigatório. Gabriela Costa Após o sucesso alcançado na edição de 2025, realizada em Úbeda (Jaén, Espanha), o Congresso Ibérico de Oleicultura desloca-se este ano a Portugal. Mais uma vez, no mês de maio, terá lugar em Beja, epicentro desta cultura, um debate sob o mote ‘A adega como novo vetor essencial para a criação de tendências’, que vai reunir um conjunto de reputados especialistas. O Edifício NERBE da Aebal - Associação Empresarial do Baixo Alentejo acolhe o evento, que arranca às 9h00, com a inauguração oficial, a cargo de Juan Vilar Hernández, CEO e fundador da Vilcon - Juan Vilar Consultores Estratégicos e especialista internacional em olivicultura, e Ángel Pérez, diretor da Área Agrícola do Grupo Interempresas e uma sessão institucional, com autoridades portuguesas e espanholas. Segue-se um conjunto de cinco mesas redondas, a primeira das quais intitulada ‘Lagares de vanguarda como centro de geração de rendimento agrícola: escala, inovação e eficiência’, que conta com a presença de José Ramón Segura, CEO da IRADU, engenharia e ambiente, Rafael Vílches Oyonarte, diretor-geral da INDEA Technologies, José Duarte, presidente da Cooperativa Moura Brancos, Mari Carmen Gámez, gerente da SCA Ciudad de Jaén e Álvaro Labella, presidente da Olibest. O painel é moderado por Juan Vilar Hernández, da Vilcon. Em análise estará o modelo de lagar avançado, intensivo em capital e tecnologia, orientado para a otimização de custos, a maximização do rendimento industrial e a estabilidade dos resultados ao longo de campanhas irregulares. ‘O lagar de grande escala e a valorização de subprodutos como nova área de negócio’ é o mote para a segunda mesa redonda da manhã de trabalhos, que será moderada por Rubén Garzón, CEO da Garzón Green Energy e agricultor, com a participação de
Adán Carrascosa, diretor comercial da Pieralisi Iberia, José María Pérez, diretor de Fábrica do GRUPO MIGASA, Javier Caro, diretor de I+D+i da SCA Oleoestepa, e Mário Martins, business developer da Genia Bioenergy / Repsol. A gestão do bagaço, caroço, biomassa e outros coprodutos como eixo de diversificação, a geração de receitas adicionais e a melhoria da sustentabilidade económica e ambiental do lagar serão os temas em debate. Depois do coffee break, momento de networking entre os especialistas participantes e a audiência, terá lugar a terceira mesa redonda, sob a temática ‘A nova ordem do processo de produção de azeite e a elevada exigência cognitiva e experiência requerida aos seus responsáveis’. O painel, que irá refletir sobre a transformação do processo produtivo num sistema complexo que exige perfis altamente qualificados, com capacidade de tomada de decisões em tempo real, conhecimento profundo do processo e visão económica global, será moderado por Gonçalo Moreira, gestor do Programa de Sustentabilidade de Azeite. Participam Luis Alberto Guzmán Espejo, CEO da ANSOTEC, Paula Cantinho, representante da área de produção de azeites na Olibest, Henrique Herculano industrial manager da Casa Relvas, Ana Gaspar, oleóloga e responsável de produção de azeites no Esporão e Nuno Serra, técnico de produção industrial da INNOLIVA. Segue-se a quarta mesa redonda, intitulada ‘Impacto do modo de cultivo da oliveira na definição, conceção e escala do lagar, e necessidade constante de transformação’, novamente com a moderação de Juan Vilar Hernández e a presença de Pedro Martínez, CEO da IMS e Mercedes Iborra, cofundadora e diretora de estratégia da VisualNACert. Em causa estará o modo como os sistemas de cultivo (tradicional, intensivo, superintensivo) condicionam a logística, o dimensionamento, a flexibilidade e a evolução contínua dos lagares. Por último, e sob o mote ‘Impacto da elevada escala produtiva do lagar no operador de mercado: desafios e estratégias’, a quinta mesa redonda vai analisar a repercussão dos grandes volumes de azeite sobre a comercialização, a gestão do risco, a relação com o mercado e as estratégias necessárias para capturar valor em ambientes altamente competitivos. Participam no painel Raquel Bonfil, diretora comercial da Indlab, José Luis Gonzalez Ocaña, da Treeconsulting (Agroclever), Luis Batista, project manager da Gallo Buying & Lands, Filipe Cameirinha Ramos, diretor da Figueirinha e Monte Novo e Mónica Sobral, category specialist no Clube de Produtores Continente. A moderação estará a cargo de Sergio Caño, sócio principal da Juan Vilar Consultores Estratégicos. Consulte o programa do Congresso: https://jornadas.interempresas.net/ Oleicultura2026/programa PATROCINADORES DINAMIZAM SETOR ESTRATÉGICO EM PORTUGAL Depois de uma primeira edição que reuniu várias centenas de profissionais, o II Congresso Ibérico de Oleicultura tem como Patrocinadores Platina: a CALDERERIA MANZANO, o Crédito Agrícola, a Foss Iberia, a IMS Pesaje - Instalación, mantenimiento y sistemas de pesaje, o laboratório Indlab, e a Pieralisi Espanha. São Patrocinadores Premium a ANSOTEC, a Cooperativa Ciudad de Jaén, a Indea Technologies e a IRADU. Já a Automatismos Itea, a cooperativa COLIVAL, a Garzon Green Energy Energía Limpia, a Heredad de Monteagudo, a Multiscan Technologies, a Tamesur e a VisualNACert são sponsors do evento, que conta ainda com a AEMODA como entidade colaboradora. O Congresso integrado nas Jornadas Interempresas é coorganizado pela Vilcon - Juan Vilar Consultores Estratégicos e pela OLIVUMSUL. A Revista Almazaras e a Revista Agriterra são Media Partners do evento, que conta com o secretariado técnico da Fakoy. n A participação no II Congresso Ibérico de Oleicultura é gratuita, mas de registo obrigatório. Inscreva-se já aqui: https://jornadas.interempresas.net/Oleicultura2026/inscripcion II CONGRESSO IBÉRICO DE OLEICULTURA 17
6 a 14 de junho Santarém Feira Nacional de Agricultura Feira do Ribatejo O grande poder dos pequenos frutos. 18 EVENTOS Pequenos frutos marcam edição deste ano da Feira Nacional de Agricultura A Feira Nacional de Agricultura / Feira do Ribatejo regressa ao CNEMA, em Santarém, entre 6 e 14 de junho, afirmando-se como o grande palco anual da agricultura portuguesa. Nesta edição, o foco recai sobre os pequenos frutos, um segmento em clara expansão que tem vindo a ganhar expressão tanto na produção nacional como na procura dos consumidores, impulsionado pelo seu perfil nutricional e pela crescente sofisticação dos mercados. Mirtilos, morangos, framboesas e amoras surgem no centro da programação como símbolo de uma agricultura mais diversificada, competitiva e orientada para gerar valor acrescentado. A escolha do tema reflete não apenas uma tendência de consumo, mas também a consolidação de fileiras produtivas que têm vindo a afirmar-se no panorama agrícola português. Mais do que uma montra expositiva, a FNA26 funciona como um espaço de encontro entre inovação e prática. No recinto, cruzam-se soluções tecnológicas, maquinaria, equipamentos, tecnologia agrícola, fatores de produção e serviços que traduzem a evolução contínua do setor. Produtores, empresas e visitantes partilham o mesmo espaço num ambiente que favorece o contacto direto e a construção de novas oportunidades de negócio. O evento representa, assim, a plataforma ideal para reforçar a visibilidade das marcas no panorama agrícola nacional. Além da vertente expositiva e comercial, a feira assume igualmente um papel relevante na reflexão sobre os desafios da agricultura contemporânea. Ao longo dos vários dias, especialistas, investigadores e decisores políticos participam em debates e encontros que colocam em discussão temas centrais para o futuro do setor, contribuindo para o desenvolvimento e modernização do setor, num contexto de adaptação permanente. Em destaque estarão, como habitualmente, os grandes temas agrícolas do momento, num ano particularmente difícil para os agricultores, num contexto de impactos crescentes das alterações climáticas nas diversas culturas e dos inevitáveis efeitos no aumento dos custos de produção provocados pelos preços crescentes dos combustíveis, da energia e dos fertilizantes, por exemplo, e pela instabilidade geopolítica, na sequência do conflito no Médio Oriente. À data de fecho desta edição o programa de conferências e talks não estava, ainda, disponível.
19 EVENTOS • Bilhete Feira: 8,50 € (Permite uma única entrada) • Cadernetas de 10 Bilhetes: 58,00 € (Cada bilhete permite uma única entrada. À venda até 5 junho) • Livre-Trânsito: 26,00 € (permite visitar a feira a qualquer hora e várias vezes por dia) • Parque de Estacionamento Ar Livre: Gratuito • Parque de Estacionamento Coberto: 5,00 € / dia • Dia 8 de junho: Entrada Gratuita • Todos os Dias: Entrada gratuita para crianças até aos 11 anos (inclusive) • Bilheteira Online: https://ticket.cnema.pt/pos/event/list • 6 a 13 junho NAVE A: 10h00 às 22h30 NAVE B: 10h00 às 22h30 NAVE C: 10h00 às 24h00 ZONA EXTERIOR/EQUIPAMENTOS E MAQUINARIA AGRÍCOLA: 10h00 às 21h00 ATIVIDADES LÚDICAS: 10h00 às 03h00 • 14 junho Todo o recinto: 10h00 às 20h00. Em paralelo, o evento mantém a sua identidade mais ampla, onde a agricultura se cruza com a cultura e a tradição. A gastronomia, a música, o folclore e a presença dos campinos ajudam a construir uma atmosfera que ultrapassa a dimensão profissional, transformando o evento num espaço vivo de celebração do mundo rural. No plano prático, a organização disponibiliza diferentes modalidades de acesso, desde bilhetes diários a livre- -trânsito, com condições específicas de entrada gratuita em determinados dias e para crianças até aos 11 anos. O recinto integra ainda estacionamento gratuito e opções cobertas, bem como horários alargados ao longo do certame, permitindo uma visita prolongada a diferentes áreas e atividades. A participação de expositores e visitantes é enquadrada por regulamentos próprios e por um manual de exposição que reúne todas as condições de participação, reforçando a organização e a dimensão profissional do evento. n ENTRADAS HORÁRIO Entre 6 e 14 de junho, o CNEMA recebe a principal feira agrícola do país, que cruza inovação, conhecimento técnico e cultura rural num mesmo espaço
REPORTAGEM 20 “O FUTURO DEPENDERÁ DA CAPACIDADE DE QUALIFICAR PESSOAS, INTEGRAR TECNOLOGIA E VALORIZAR O TRABALHO AGRÍCOLA” A agricultura nacional está hoje mais produtiva, mais profissionalizada e mais orientada para a criação de valor, apesar de operar com menos recursos humanos. Estas são as grandes conclusões do estudo ‘Evolução do Trabalho na Agricultura em Portugal’, que a CONSULAI apresentou a 25 de março, em Lisboa. No almoço de imprensa em que a Agriterra participou, a consultora em agribusiness apresentou ainda a segunda fase do B-Rural, hub nacional que, até agosto de 2026, volta a valorizar o setor agroflorestal. Gabriela Costa A produtividade no setor agrícola mais do que duplicou em três décadas, com menos trabalhadores e emprego, e com mais assalariados e menos trabalho familiar. A agricultura é o setor Pedro Santos, diretor-geral da CONSULAI e Rui Almeida, diretor operacional da CONSULAI, no almoço de imprensa realizado a 25 de março, em Lisboa. que mais depende de mão de obra estrangeira em Portugal (mais de 40% da força de trabalho em 2023 já o era) e os trabalhadores estrangeiros são mais qualificados do que os nacionais; os salários na agricultura cresceram mais de 50% em dez anos, mas continuam abaixo da média nacional. O envelhecimento dos agricultores continua acelerado, com a idade média a atingir os 59 anos; e o futuro exige competências tecnológicas e digitais. São estas as principais conclusões do estudo ‘Evolução do Trabalho na Agricultura em Portugal’, que assinala os 25 anos da fundação da consultora e o seu empenho em reforçar a compreensão sobre o impacto económico e territorial do setor agrícola, bem como o seu contributo para a segurança alimentar, a gestão sustentável dos recursos naturais e a mitigação das alterações climáticas, num contexto de transformação acelerada do agronegócio.
REPORTAGEM 21 A análise aprofundada sobre as dinâmicas do trabalho e os desafios críticos do setor em Portugal evidencia que “nos últimos anos, a agricultura portuguesa protagonizou uma transformação estrutural notável, tornando-se mais produtiva, mais profissional e cada vez mais tecnológica”, como sublinhou no encontro Pedro Santos, diretor-geral da CONSULAI. PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA MAIS QUE DUPLICA, MAS FUTURO EXIGE COMPETÊNCIAS TECNOLÓGICAS Hoje a agricultura integra automação, sensores, inteligência artificial e serviços especializados. Este novo paradigma exige trabalhadores com competências técnicas e digitais, num contexto em que a tecnologia substitui tarefas manuais e potencia ganhos de eficiência. “O crescimento da atividade é brutal”, mas “temos metade da mão de obra existente há 30 anos”, essencialmente em explorações familiares, alerta Pedro Santos. Esta escassez de recursos humanos e a dificuldade em atrair talento qualificado e jovem “condicionam a sustentabilidade e a competitividade” do setor e obrigam “à necessidade de mais mão de obra estrangeira” (que representa já 40% do trabalho especializado – qualificado e apto a integrar as novas tecnologias), e “à necessidade de renovação geracional”, que é urgente. O estudo revela que, nas últimas três décadas, o volume de trabalhadores na agricultura decresceu de mais de 430 mil para cerca de 220 mil trabalhadores a tempo integral. Em contrapartida, o valor gerado pelo setor aumentou, permitindo que a produtividade mais do que duplicasse: “um reflexo da mecanização, da modernização das explorações e da reorganização empresarial que se tem vindo a registar”. O número de pessoas empregadas estabilizou entre 165 mil e 180 mil, com uma redução acentuada do trabalho familiar e um crescimento do trabalho assalariado, que representava já cerca de 40% do total em 2023, segundo os dados mais recentes do INE. Por outro lado, o peso da mão-de-obra estrangeira no setor em Portugal quadruplicou desde 2014, e “é hoje particularmente crítico para as culturas intensivas e sazonais, assegurando os picos de produção e a continuidade operacional”. Segundo a análise baseada numa abordagem integrada de fontes estatísticas oficiais, 81,5% dos trabalhadores portugueses no setor agrícola só possuem o grau do ensino básico e os estrangeiros apresentam, em média, níveis de qualificação superiores aos portugueses: 7,5% possuem cursos superior, face a 2,7% dos trabalhadores nacionais. Em termos salariais, a remuneração média agrícola cresceu cerca de 50% na última década, aproximando-se dos 1.000 euros mensais. Ainda assim, este valor permanece significativamente abaixo da média nacional (1.742 euros), o que limita a capacidade do setor para atrair talento jovem e mais qualificado, “que será imprescindível no contexto de uma agricultura cada vez mais digitalizada e de precisão”. O documento conclui igualmente que a agricultura portuguesa apresenta fortes assimetrias regionais. O Alentejo concentra mais de metade da área agrícola (54,7%), mas apenas 11,3% da mão-de-obra, refletindo um modelo altamente mecanizado. Em contraste, regiões como Algarve e Oeste destacam-se pela elevada intensidade produtiva e maior necessidade de trabalho, com produtividades superiores a 5.200 euros por hectare. O envelhecimento da força de trabalho é uma das tendências mais preocupantes: a idade média subiu de 46 anos em 1989 para 59 anos em 2023. Em paralelo, a mão-de-obra familiar caiu mais de 60%, evidenciando uma clara ausência de renovação geracional. Neste contexto, “arriscamos o abandono por desertificação humana” nos territórios rurais, defende o diretor- -geral da CONSULAI, para quem “o cooperativismo é um movimento que faz todo o sentido na agricultura”. Na sua opinião, “o futuro da agricultura em Portugal dependerá da capacidade de qualificar pessoas, integrar tecnologia e valorizar o trabalho agrícola. Sem uma resposta clara, assente na renovação geracional, em políticas públicas eficazes e realistas, em mais capacitação e organização da produção e do setor, corremos o risco de perder o dinamismo conquistado, precisamente num momento em que mais precisamos de o consolidar”.
REPORTAGEM 22 B-RURAL SUMMIT REÚNE DECISORES POLÍTICOS, PRODUTORES, ACADÉMICOS, GESTORES, JOVENS E SOCIEDADE CIVIL Este que é o primeiro estudo da CONSULAI (que prepara um segundo, sobre energia, cujo lançamento terá lugar ainda este ano), propõe um conjunto de O B-Rural, projeto da CONSULAI cofinanciado pela Comissão Europeia, entra na segunda fase em 2026 para promover o diálogo entre produtores agrícolas e florestais e consumidores urbanos, dando visibilidade a um setor que gera mais de 9,4 mil milhões de euros de VAB, que representa mais de 12% das exportações nacionais e que emprega mais de 456 mil pessoas. A empresa de consultoria em agribusiness volta a apostar no hub nacional para valorizar o setor agroflorestal e aproximar o mundo rural do urbano. O arranque desta segunda fase do B-Rural, “uma iniciativa emblemática que pretende aproximar produtores e consumidores urbanos e estimular um debate mais alargado na sociedade civil sobre o papel estratégico da agricultura e da floresta no desenvolvimento do país”, tem o seu ponto alto em junho, com a realização do B-Rural Summit, que irá reunir em Lisboa decisores políticos, produtores, académicos, gestores, jovens e sociedade civil. De acordo com Rui Almeida, diretor operacional da CONSULAI ,“o B-Rural nasce da necessidade de aproximar quem produz de quem consome. Queremos criar mais conhecimento sobre o setor agrícola e florestal na sociedade, valorizar o trabalho dos produtores e promover um diálogo construtivo com os consumidores”. Um desafio essencial, “num país onde cerca de dois terços da população vivem em áreas urbanas”. A iniciativa, que decorre até agosto de 2026, pretende reforçar a compreensão sobre o impacto económico e territorial do setor agroflorestal, bem como o seu contributo para a segurança alimentar, a gestão sustentável dos recursos naturais e a mitigação das alterações climáticas. O B-Rural conta com o apoio de várias associações representativas do setor agrícola e florestal, entre as quais a ALPORC, a ANPOC, a ANPROMIS, a ANSEME, a APOSOLO, a CAP, a CONFAGRI, a CropLife Portugal, a FNOP, a OLIVUM, a Portugal Fresh e a Portugal Nuts. recomendações que refletem respostas para os desafios do setor agrícola, numa atuação articulada entre empresas, políticas públicas e ecossistema setorial: ao nível empresarial, é prioritário investir na qualificação da mão-de-obra, no planeamento estratégico e na adoção de soluções de automação e segurança, valorizando simultaneamente os trabalhadores. No plano público, torna-se fundamental assegurar políticas migratórias estáveis e previsíveis, reforçar a formação técnica e digital, promover a renovação segura do parque de máquinas e adaptar as políticas às especificidades regionais. Em complemento, a coordenação entre associações, prestadores de serviços e instituições de ensino, através de iniciativas como plataformas de gestão de mão-de-obra, serviços tecnológicos estruturados, conteúdos formativos acessíveis e sistemas de certificação, será decisiva para aumentar a eficiência, organização e qualificação do setor. n
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REPORTAGEM 24 “O TEMA DA QUALIDADE REFLETE UMA PRIORIDADE CLARA: PRODUZIR MELHOR, COM MAIS VALOR” Os produtores de mirtilo reuniram-se a 12 de março, no Convento de São Francisco, em Santarém, para debater os ‘Caminhos para a Qualidade’ numa fileira que atingiu maturidade e revela potencial de crescimento. No Encontro da ANPM, que contou com a participação do ministro da Agricultura, mais de 300 especialistas nacionais e internacionais projetaram o futuro de um setor que já ocupa quase 3.000 hectares em Portugal. A Agriterra fez a reportagem in loco da conferência e conversou com o presidente da Associação, Carlos Adão. Gabriela Costa Na sua 14ª edição, o Encontro Nacional de Produtores de Mirtilo da ANPM - Associação Nacional de Produtores de Mirtilo debateu a agricultura moderna que define hoje esta cultura e os desafios e oportunidades que se colocam no futuro. Centenas de produtores, técnicos, investigadores e comercializadores reuniram-se no Convento de São Francisco, em Santarém, num evento que contou com vários painéis de debate e a participação de algumas dezenas de empresas expositoras. Em pouco mais de uma década, a fileira desenvolveu-se de forma significativa em Portugal: de apenas 43 hectares de produção, Portugal passou para quase 3.000 hectares dedicados ao mirtilo, um crescimento que revela o peso crescente desta cultura no panorama agrícola nacional. Analisando o futuro do setor à luz da inovação e da sustentabilidade, o Encontro da ANPM avaliou a atual eficiência produtiva do mirtilo, em busca da elevada qualidade do fruto. A conferência do primeiro dia do encontro foi dedicada à análise do mercado, da inovação pré e pós colheita, da investigação e genética, da Inteligência Artificial (IA) aplicada à produção e da competitividade do mirtilo nacional. Na sessão de abertura, a cargo do presidente da ANPM e de Álvaro Mendonça e Moura, presidente da CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal, ficou patente que os muitos desafios que se colocam a esta cultura – da implementação do proO Encontro Nacional de Produtores de Mirtilo reuniu mais de três centenas de participantes no Convento de São Francisco, em Santarém.
REPORTAGEM 25 grama ‘Água que Une, à burocracia associada ao recente ‘comboio de tempestades’, passando pela integração e simplificação contratual da mão de obra imigrante – obrigam a um maior conhecimento da fileira, que deve ser congregado numa “estratégia nacional” através da criação de um “observatório com metodologias”, com “o apoio da tutela”, como defendeu Carlos Adão. Já o presidente da CAP sublinhou o potencial de crescimento de toda a fileira dos pequenos frutos – motivo para a escolha do tema na próxima Feira Nacional de Agricultura, em junho –, a qual registou, em 2025, 398 milhões de euros em exportação; e, em particular, os resultados da exportação de mirtilos, que ascendeu aos 59 milhões de euros, com um preço médio de 6,3 euros por quilo de produto exportado. QUALIDADE DEFINE O CONSUMIDOR DO MIRTILO O primeiro painel, dedicado às tendências de produção e consumo no mercado, reuniu Gustavo Yentzen, da IBO - International Blueberry Organization, Francisco Gambôa Vicente, da Sonae e Eduardo Bremm, da Driscoll's, num debate que retratou o consumo de mirtilo e as tendências dos mercados europeu, ibérico e português, sob a moderação de Gonçalo dos Santos Andrade, da Portugal Fresh. O consumidor deste fruto define-se pela exigência de qualidade, apresentando um perfil que privilegia a alimentação saudável e as compras biológicas, incluindo snackings. Seguiu-se uma sessão sobre gestão de explorações nas operações de pré e pós-colheita, onde foram apresentadas ferramentas e estratégias para tornar as produções mais eficientes, sustentáveis e competitivas, bem como as mudanças no quadro de apoio e investimento agrícola na Europa. O objetivo é alcançar consistência face às exigências da aparência e sabor da fruta. Moderado por Luís Mira, da CAP, o painel reuniu as participações de Paula del Valle, da MyBlueProject, Hugo Botelho, da Bfruit, Diogo Oliveira, da O'baga e Pedro Santos, da Consulai. Já no terceiro painel, que, numa análise ao estado-da-arte da investigação científica na fileira, contou com as presenças de Luca Mazzoni, da Università Politecnica delle Marche, Erik Veenman, da Vivent Biosignals e Diogo Machado, da Green Factor, com a moderação de Carmo Martins, do COTHN, os temas abordados foram as estratégias para melhorar a qualidade do fruto, a identificação precoce de stress por impulso elétrico e as experiências práticas com bioestimulação. A influência da genética na qualidade do fruto foi amplamente debatida. O último painel analisou a inovação e as tecnologias aplicadas à fileira do mirtilo, como a aplicação de IA na produção e na identificação de pragas e doenças e a colheita mecânica de mirtilos. Moderado por Domingos dos Santos, da FNOP, reuniu o conhecimento científico de André Barriguinha, da Universidade NOVA Information Management School, e de Pedro Henrique Fernandes Moura, do INESC TEC, com a experiência em tecnologia agrícola especializada na colheita de mirtilos da FineField, pela voz de Marcel Beelen. O primeiro dia encerrou com a 'Mesa de Produtores', um debate aberto onde se discutiram o marketing da fruta portuguesa, as competências técnicas nas explorações e o futuro do setor, num contexto onde a falta de mão-de-obra, o peso da burocracia, a necessidade de aumentar o consumo interno e o reforço da exportação constituem os principais desafios. O habitual espaço de discussão nos encontros da ANPM foi desta vez moderado por Pedro Brás de Oliveira, do INIAV, reunindo os produtores Fernando Azevedo (Minhoberrycoop), Maria João Raro (Maio Verde), Nuno Melo (Valle de Santa Cristina), Nuno Silveira (Visionagro) e Pedro Aguiar (Campo Blue). A análise de todas estas temáticas na conferência dedicada à qualiNa área de exposições, dezenas de empresas apresentaram as suas soluções para o setor do mirtilo.
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