ENTREVISTA 46 JORGE NEVES, PRESIDENTE DA ANPROMIS "É fundamental garantir previsibilidade e condições mínimas de rentabilidade" Na sequência do XVI Congresso Nacional do Milho, que reuniu, em fevereiro, mais de 600 participantes em Santarém, o presidente da ANPROMIS faz um balanço do setor, à luz da nova realidade geopolítica no Médio Oriente, que provocou o agravamento dos custos de produção. Segundo Jorge Neves, “os instrumentos existentes, quer ao nível da PAC, quer das medidas nacionais, não estão preparados para responder à volatilidade dos preços da energia, dos fertilizantes ou dos combustíveis, que têm um impacto direto e imediato na viabilidade das explorações”. Gabriela Costa No congresso, a ANPROMIS alertou para a necessidade de uma Política Agrícola Comum justa e adaptada à realidade dos produtores. Entretanto, assistimos a um agravamento dos custos de produção — energia, fertilizantes e combustíveis — impulsionado pelo contexto geopolítico no Médio Oriente. Até que ponto a atual PAC e os instrumentos nacionais estão preparados para responder a este novo choque de custos, e o que é urgente fazer para evitar o abandono da produção cerealífera? O que estamos a viver confirma, de forma muito clara, os alertas que deixámos no XVI Congresso Nacional do Milho | 2.º Encontro das Culturas Cerealíferas. A atual Política Agrícola Comum (PAC) foi desenhada num contexto de Jorge Neves, presidente da ANPROMIS – Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo. relativa estabilidade e, por isso, revela hoje limitações evidentes para responder a choques abruptos, como este aumento dos custos de produção, fortemente influenciado pelo contexto geopolítico internacional. Os instrumentos existentes, quer ao nível da PAC, quer das medidas nacionais, são, em grande medida, insuficientes e demasiado lentos. Não estão preparados para responder à volatilidade dos preços da energia, dos fertilizantes ou dos combustíveis, que têm um impacto direto e imediato na viabilidade das explorações. Com urgência, é necessário introduzir maior flexibilidade nos mecanismos de apoio, reforçar os pagamentos ligados à produção e criar instrumentos de gestão de risco
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