ENTREVISTA 47 verdadeiramente eficazes. Mas, acima de tudo, é fundamental garantir previsibilidade e condições mínimas de rentabilidade. Sem isso, o abandono da produção cerealífera não é um cenário teórico, é um risco real e iminente. No evento foi sublinhado que os cereais são hoje uma questão de soberania e segurança alimentar. Perante uma Europa mais vulnerável, com cadeias de abastecimento pressionadas e conflitos internacionais a afetar os mercados, considera que Portugal e a União Europeia estão a dar prioridade suficiente ao aumento da produção interna? Que mudanças estratégicas são necessárias para reduzir a dependência externa? Hoje é inquestionável que os cereais assumem uma dimensão estratégica que vai muito além da agricultura: são um pilar da soberania e da segurança alimentar. No entanto, tanto Portugal como a União Europeia (UE) continuam, em larga medida, dependentes de importações, o que nos torna particularmente vulneráveis em momentos de instabilidade internacional. Apesar de algum reconhecimento político desta realidade, consideramos que ainda não existe uma resposta suficientemente ambiciosa. Continuamos a assistir a uma prioridade insuficiente ao aumento da produção interna, em particular em países como Portugal, onde o potencial produtivo está longe de ser plenamente aproveitado. É necessário um reposicionamento estratégico claro: valorizar a produção, investir na eficiência dos sistemas agrícolas, promover a inovação e garantir acesso a fatores de produção a custos competitivos. Paralelamente, é essencial assegurar políticas que incentivem os produtores a manter e aumentar a sua atividade, em vez de a desincentivar. Os produtores têm alertado para a concorrência de importações provenientes de países com regras menos exigentes. À luz das negociações comerciais em curso e das propostas para a PAC pós-2027, como se pode garantir condições equitativas para os agricultores europeus? Existe o risco de a política comercial contradizer os objetivos da própria PAC? A questão da concorrência desleal é uma das maiores preocupações dos produtores europeus. Não é aceitável que se exija aos agricultores da UE o cumprimento de normas ambientais, sociais e de segurança alimentar muito rigorosas, permitindo simultaneamente a entrada de produtos provenientes de países que não respeitam Intervenção do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, na Sessão de Encerramento do XVI Congresso Nacional do Milho. É necessário valorizar a produção, investir na eficiência dos sistemas agrícolas e garantir acesso a fatores de produção a custos competitivos
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