REPORTAGEM 27 Em entrevista à Agriterra à margem do recente Encontro Nacional dos Produtores de Mirtilo, o presidente da ANPM, Carlos Adão, explica a escolha da temática ’Caminhos para a Qualidade’ para uma edição com lotação esgotada que reuniu mais de 300 participantes e a presença de especialistas de Portugal, Espanha, França, Países Baixos, Itália e Chile. Qual é a relevância da organização deste 14º Encontro Nacional dos Produtores de Mirtilo no atual contexto do setor? Como disse, e bem, esta foi já a 14ª edição deste Encontro Nacional dos Produtores de Mirtilo e representou, no fundo, mais uma oportunidade para trocarmos experiências entre os produtores do setor. No primeiro dia do evento, através de um momento de aprendizagem com uma conferência que aportou muito conhecimento. E no segundo dia de campo, numa lógica mais informal, com a apresentação e demonstração de algumas tecnologias. Que balanço faz desta edição ao nível da participação e iniciativas incluídas no programa? Nesta edição realizada em Santarém registámos um recorde absoluto ao longo das 14 edições, quer em termos de participantes, quer em termos de atividades realizadas. Tivemos 340 pessoas inscritas e, entretanto, vieram assistir ao Encontro algumas outras não inscritas, que obviamente acolhemos com todo o gosto. Como avalia o valor do debate no primeiro dia do Encontro da ANPM, ao nível das temáticas em destaque? Este 14º Encontro realizou-se em torno de um tema principal e abrangente: a qualidade. A razão para a escolha desta temática prende-se com o facto de a fileira do mirtilo atuar num mercado de grande competitividade, onde precisamos de estar constantemente em atualização. A ideia foi estimular os produtores a repensarem as suas explorações, para se adaptarem e adequarem àquilo que são as tendências e as experiências de consumo, e também àquilo que são os interesses dos produtores e dos comercializadores a nível internacional. A conferência organizou-se em quatro sessões, a primeira das quais teve que ver exatamente com os mercados e com as tendências de consumo. A segunda sessão, com uma orientação mais técnica, abordou práticas de pré-colheita e de pós-colheita e a sua influência na qualidade, mas também a organização e concentração da produção, a gestão das explorações agrícolas e os incentivos financeiros e de investimento que estão disponíveis para o setor. Tivemos depois uma terceira sessão dedicada à componente da investigação no mirtilo, que analisou aquilo que se faz a este nível em Portugal e como é feita essa transferência de conhecimento da academia e dos centros de investigação para a produção. Finalmente, na quarta sessão, o foco esteve no uso de tecnologia em contexto agrícola, ou seja, na inteligência artificial aplicada a várias áreas da agricultura, como o controlo de pragas e doenças, armadilhas inteligentes, a colheita mecânica, a robótica e, genericamente, a mecanização das práticas agrícolas na fileira do mirtilo. No que respeita à investigação, a questão da genética esteve em destaque no debate. Que impacto poderá ter a criação de novas variedades numa produção de mirtilo mais constante ao longo de todo o ano? A genética tem uma influência fundamental na nossa produtividade e na forma de condução das explorações. E, efetivamente, tem existido um conjunto de variedades novas, todos os anos, e essas variedades estão comercialmente no mercado. É importante os produtores irem acompanhando esta evolução e fazendo algumas alterações, retirando algumas variedades mais antigas e renovando as suas explorações. Lá está, para que a fruta que produzam tenha os padrões de qualidade que o consumidor final espera. E neste aspeto, a exigência de um consumidor de mirtilo há dez anos atrás é totalmente diferente da atual. Portanto, esta componente científica da nova genética, com as variedades que vão aparecendo, contribui para a qualidade do fruto. Mas também obriga o produtor a fazer novos investimentos e a atualizar as suas explorações. O que destaca no dia de campo na exploração de mirtilo ribatejana Campo Blue, que contou com a presença do Ministro da Agricultura e Mar? Como é típico nestes nossos encontros, o segundo dia é sempre dedicado a uma sessão de campo, onde fazemos apresentações de tecnologias em visitas de campo. Contámos, logo na abertura deste dia, com a presença do Ministro José Manuel Fernandes, que sublinhou a relevância da fileira do mirtilo, o dinamismo dos produtores e o peso dos pequenos frutos nas exportações nacionais, abordando ainda as iniciativas do governo para o setor, nomeadamente sobre a estratégia ‘Água que Une’, mas também sobre as medidas de apoio aos agricultores afetados pelos fenómenos climáticos extremos e sobre a necessidade de simplificação de processos. A manhã de trabalho incluiu uma sessão sobre agricultura regenerativa e uma demonstração de equipamentos de colheita mecânica, de equipamentos agrícolas e tecnologias como sensores e soluções de monitorização, e ainda de equipamentos de seleção e embalamento. A iniciativa culminou num almoço de despedida, ficando marcada por um momento prático mais descontraído. n “A fileira do mirtilo atua num mercado de grande competitividade” CARLOS ADÃO, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PRODUTORES DE MIRTILO
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