BA26 - Agriterra

37 VITICULTURA que se registam níveis elevados de humidade relativa, entre 92% e 100%, associados a chuva ou orvalho. A temperatura ideal para a germinação dos oósporos situa-se entre os 11 °C e os 32 °C, permitindo ciclos sucessivos de infeção ao longo da campanha. A presença de inóculo no solo, sob a forma de oósporos que hibernam de um ano para o outro, aumenta significativamente o risco, sobretudo quando na campanha anterior se observaram sintomas de míldio mosaico. SINTOMAS DO MÍLDIO NOS ÓRGÃOS DA VIDEIRA Plasmopara viticola é um fungo endoparasita, ou seja, desenvolve-se no interior dos tecidos da planta, e manifesta sintomas distintos conforme o órgão afetado. Nas folhas, surgem inicialmente manchas de óleo na página superior, com aspeto translúcido, evoluindo posteriormente para a formação de esporulação esbranquiçada na página inferior. Em situações de ataque intenso, ocorre dessecamento e desfoliação, com diminuição da área foliar fotossinteticamente ativa. No final do verão, é frequente observar o chamado míldio mosaico, com pequenas manchas necrosadas entre as nervuras. Nas inflorescências e nos cachos, a doença manifesta-se pela presença de bolor cinzento/branco (rot gris) que rapidamente evolui para uma coloração acastanhada. Nos bagos já desenvolvidos, surgem manchas acastanhadas com aspeto de 'dedadas', levando à desidratação e ao dessecamento do bago, um fenómeno conhecido por podridão castanha (rot brun). Estes sintomas têm um impacto direto na produção e na qualidade das uvas, afetam a maturação, diminuem o teor de açúcares e aumentam a acidez, podendo originar perdas totais quando as infeções ocorrem em fases precoces e não são adequadamente controladas. A sensibilidade da videira ao míldio varia ao longo do seu ciclo vegetativo. As fases mais suscetíveis ocorrem desde a saída das folhas até ao pintor. ESTRATÉGIA INTEGRADA DE PROTEÇÃO DA VINHA CONTRA O MÍLDIO O controlo eficaz do míldio da videira exige uma abordagem integrada que combine práticas culturais com uma estratégia fitossanitária bem estruturada. A gestão da videira deve focar-se no arejamento do interior da sebe, através de despontas, desladroamento e desfolha, para reduzir a humidade e, assim, dificultar o desenvolvimento do fungo. A drenagem adequada do solo contribui para limitar as condições favoráveis à infeção. Do ponto de vista fitossanitário, a estratégia deve assentar numa abordagem essencialmente preventiva, com intervenções realizadas em função do risco climático e do estado fenológico da cultura. A escolha dos fungicidas deve privilegiar soluções eficazes, adaptadas às várias fases do ciclo da videira, garantindo uma boa persistência e capacidade de proteger o crescimento ativo da planta, assegurando simultaneamente uma gestão rigorosa das resistências através da rotação de modos de ação. ORONDIS FORTE: UM PASSO GIGANTE CONTRA O MÍLDIO Neste contexto, o Orondis Forte posiciona-se como uma nova solução fungicida altamente eficaz no controlo do míldio da videira, integrado no portfólio Syngenta para vinha - o mais completo do mercado. O Orondis Forte combina duas substâncias ativas complementares, amissulbrome (140 g/L) e oxatiapiprolina (40 g/L), proporcionando um duplo modo de ação que atua em várias fases do ciclo do patógeno. Esta combinação é considerada uma estratégia valiosa contra o desenvolvimento de resistências. O amissulbrome é um fungicida de superfície, que possui atividade preventiva, atua em múltiplas etapas do ciclo de vida do fungo, sendo ativo na germinação direta de zoosporângios e indireta de zoosporângios e na germinação de citósporos. Desta forma, proporciona um desempenho consistente através da interrupção da infeção secundária. A oxatiapiprolina distingue-se pelo seu comportamento sistémico e elevada mobilidade no interior da planta, permitindo uma proteção adicional das novas folhas e rebentos desenvolvidos após a aplicação. A oxatiapiprolina tem ação preventiva e curativa, quando é aplicada imediatamente após a infeção, e também atua em diversas etapas do ciclo de vida do fungo. É mais eficaz nas etapas-chave: esporulação, germinação e infeção inicial. Esta complementaridade traduz-se numa proteção robusta, duradoura e resistente. Orondis Forte fixa-se na camada cerosa e nos tecidos foliares, devido ao movimento de ambas as substâncias ativas no interior da planta, proporcionando uma excelente proteção dos bagos e das folhas, caso a precipitação ocorra uma hora após a aplicação. POSICIONAMENTO TÉCNICO E FLEXIBILIDADE NA ESTRATÉGIA O Orondis Forte deve ser aplicado preferencialmente de forma preventiva, entre as flores separadas e o bago de chumbo, garantindo uma excelente proteção nestas fases sensíveis da vinha ao míldio. Este fungicida está autorizado à dose de 0,5 L/ha, a partir do pleno desenvolvimento vegetativo. Deve-se utilizar 0,2 a 0,3 L/ha/10 000 m2 tLWA (área da parede foliar). A sua utilização em dois tratamentos, com intervalos de dez a 14 dias, permite assegurar uma proteção consistente durante estas fases determinantes. O Orondis Forte deve ser usado em pro-

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