BA26 - Agriterra

Custos sobem e pressionam produção agrícola mundial A interrupção do corredor comercial do Estreito de Ormuz está a gerar impactos significativos nos mercados globais de energia, fertilizantes e sistemas agroalimentares, alertou o economistachefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Máximo Torero, durante um briefing nas Nações Unidas. Segundo o responsável, a escalada do conflito no Médio Oriente provocou uma redução superior a 90% no tráfego de navios petroleiros nesta rota estratégica, por onde transitam diariamente cerca de 20 milhões de barris de petróleo, representando aproximadamente 35% dos fluxos globais de crude, além de uma parte relevante do comércio mundial de gás natural liquefeito e fertilizantes. Máximo Torero sublinhou que “não se trata apenas de um choque energético, mas de um choque sistémico que afeta os sistemas agroalimentares a nível global”. A região do Golfo é responsável por cerca de metade do comércio mundial de enxofre, essencial na produção de fertilizantes fosfatados, o que poderá comprometer cadeias de abastecimento críticas. A crise está também a pressionar os custos logísticos e de seguros marítimos. Os prémios de risco de guerra aumentaram de 0,25% para valores até 10% do valor das embarcações, com revisões semanais das coberturas, dificultando a normalização do transporte internacional mesmo em cenários de desescalada. No setor agrícola, os efeitos já se refletem no aumento dos custos de produção. Os preços dos fertilizantes registaram subidas significativas, com destaque para a ureia granular do Médio Oriente (+19%) e do Egito (+28%) na primeira semana de março. A FAO estima que os preços globais dos fertilizantes possam aumentar entre 15% e 20% no primeiro semestre de 2026, caso a crise persista. EDITORIAL Numa edição especial que marca presença em cinco eventos do setor, a expetativa recai, antes de mais, na Conferência Técnica da Vinha 2026, que a Agriterra organiza a 19 de maio. Com a presença de Francisco Toscano Rico, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, em representação do ministro da Agricultura, o debate sobre ‘A Vinha do Futuro’ reúne no Auditório Nobre do Instituto Politécnico de Setúbal um painel de especialistas em vitivinicultura, que irão analisar o impacto da tecnologia, do clima e da sustentabilidade neste setor que encontra na península entre o Tejo e o Sado forte tradição vitivinícola. A não perder. Logo no dia seguinte, o Grupo Interempresas e a Vilcon realizam em Beja o II Congresso Ibérico de Oleicultura, que debate ‘O lagar como novo vetor estratégico de geração de tendência’. O encontro leva à cidade epicentro do cultivo da oliveira e produção de azeite um conjunto de especialistas ibéricos que irão analisar temáticas como o impacto dos lagares de vanguarda no rendimento agrícola, a nova área de negócio dos subprodutos da oliveira, a modernização dos processos produtivos e de cultivo e a repercussão dos grandes volumes de azeite no mercado. O Congresso conta com os media partners das revistas Agriterra e Almazaras. Segue-se, entre 6 e 14 de junho, a Feira Nacional de Agricultura, que este ano dedica a sua edição à temática ‘O poder dos pequenos frutos’, um segmento em crescimento impulsionado pela sofisticação e competitividade dos mercados. A par da habitual montra expositiva, o CNEMA acolhe um programa de conferências e talks sobre os grandes desafios agrícolas do momento, de que daremos conta na cobertura da feira, da qual somos igualmente parceiros de comunicação. Bem a propósito, apoiámos o recente Encontro Nacional de Produtores de Mirtilo, que reuniu, também em Santarém, mais de 300 participantes, numa análise aos ‘Caminhos para a Qualidade’ de uma fileira que atingiu maturidade, ocupando já quase 3.000 hectares em Portugal. Em dossier, destaque para os setores da viticultura, da maquinaria agrícola, da floresta (onde damos conta das novidades tecnológicas em demonstração, no final de maio, em Albergaria-a-Velha) e do milho - incluindo uma entrevista ao presidente da ANPROMIS, que atualiza as conclusões do XVI Congresso do Milho à luz do agravamento dos custos de produção. Last but not least, a entrevista à Trane, tema de capa, que, num cenário em que as condições climáticas são imprevisíveis e a evolução tecnológica é determinante, defende que é “inevitável o uso de soluções de armazenamento com temperatura controlada, para preservar produtos sensíveis e evitar perdas” na agricultura. Boa leitura. Vinha do futuro em debate a 19 de maio, em Setúbal

RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx