56 ANÁLISE Agricultura e territórios rurais em Portugal no ‘fio da navalha’ "A instabilidade mundial provocada por medidas políticas completamente desajustadas está a provocar o caos em todos os continentes e blocos de países. As alterações climáticas vão dando cada vez mais sinais (secas, incêndios, tempestades, cheias, etc.) e as consequências estão à vista". Nesta difícil conjuntura, a AJAP apela ao Primeiro-Ministro para intervir mais ativamente, defendendo que são necessárias medidas concretas e urgentes. “O que não gastamos na prevenção, acabamos por gastar muito mais para indemnizar prejuízos, ao tentar minimizar a força incontrolável da natureza”, defende a AJAP – Associação dos Jovens Agricultores de Portugal. Em comunicado, considera que a Europa está refém dela própria e pouco pode fazer, a não ser correr atrás do prejuízo e preparar-se (gastando obviamente muito dinheiro) para fazer o que devia ter feito há muitos anos. Portugal é duplamente refém, diz ainda, por um lado da Europa, porque teimosamente quer diminuir os apoios e receber mais contribuições para o armamento (pelos vistos inevitável), e por outro de si próprio e de políticas voltadas exclusivamente para os territórios urbanos, esquecendo os territórios rurais, mais de 80% da sua superfície. Considerando que a agricultura, a criação de gado, a floresta e a agroindústria deixaram de ser prioritárias há décadas, a AJAP afirma que “por este andar ainda vamos ver este setor produtivo, crucial para o País, como uma Secretaria de Estado da Economia e da Coesão”. O PRR - Plano de Recuperação e Resiliência “ficou muito aquém das expectativas e necessidades do setor agrícola, pecuário e florestal”, acusa também a Associação: os poucos fundos disponibilizados “foram destinados a reequipar e melhorar infraestruturas do Estado, quando os agricultores tanto necessitavam deles para se modernizarem e serem mais competitivos”. Consequentemente, o setor continua a necessitar de recuperar os regadios existentes, combater o desperdício de água e construir novas barragens estruturais. Outra aposta necessária deveria ter sido no investimento em estruturas de concentração e comercialização de produtos agrícolas detidas por agricultores, conclui. Para a AJAP, “os agricultores são sempre o elo mais fraco da cadeia, são sempre os mais prejudicados no preço que recebem por tudo o que produzem”, e a grande distribuição “tomou conta disto tudo”. Este cenário causa desânimo, abandono e despovoamento, “claramente um cenário pouco aliciante para atrair jovens”. Os agricultores que teimosamente resistem “estão reféns de problemas complexos como catástrofes climáticas, desprezo político, preços baixos pagos pelas suas produções, custos elevados dos fatores de produção”, contexto que se agrava com cortes nos apoios quer do Orçamento de Estado ou da União Europeia.
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