Informação profissional para a agricultura portuguesa

“Qualquer planta funciona como um painel solar, com as suas folhas”

Emília Freire17/06/2021

Apesar de nos últimos anos a cultura do amendoal, intensivo e em sebe, ter seguido, em muito, os passos do olival, são árvores de famílias e caraterísticas diferentes, por isso, a poda é distinta. Todavia, o objetivo da poda é sempre ajudar a planta a produzir melhor.

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A Veracruz tem um projeto de amendoais intensivos e em sebe, na zona de Idanha-a-Nova, pretendendo chegar os 2.000 hectares, num horizonte de 25/30 anos.

Antes de falarmos da poda da oliveira Maria Dolores Humanes diz-nos que temos de falar da geometria do olival e da forma como todas as plantas funcionam e produzem: fazem-no porque realizam a fotossíntese. “Qualquer planta funciona como um painel solar, com as suas folhas”, explica a engenheira agrónoma espanhola, consultora de olival, que trabalha em Portugal há vários anos, com vários produtores, como a Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos.

Por isso, “a poda é a operação mais importante para as culturas lenhosas”. A consultora na CAMB tem ajudado os produtores a fazer uma técnica de poda diferente. “Tradicionalmente em Portugal, depois de a árvore ter um bom ano de produção fazia-se uma poda radical deixando apenas madeira e umas poucas folhas. Ora, a árvore ficava três anos sem produção, a formar novas folhas”, conta.

Mas num olival gerido de forma profissional e para ser rentável, as oliveiras têm de produzir todos os anos, assim “a nova técnica de poda tem em conta precisamente esse objetivo de produção anual, e que a oliveira tem de formar folhas para produzir também no ano seguinte”.

A oliveira tem gomos que, indiferenciadamente, podem vir a produzir ramos e folhas ou flores e frutos, dependendo do maneio da árvore. A consultora refere que a investigação “parecer indicar” que serão os ramos produzidos no outono que darão os gomos florais, mas “a data de colheita, o estado da oliveira, a quantidade de adubo e de água, determinarão a quantidade de gomos que irão dar flor na primavera seguinte”.

Para dar gomos florais o ramo tem de ter, pelo menos, um ano

“Mas, para que o gomo dê flor e depois fruto, o ramo onde está este gomo tem de ter, pelo menos, um ano de idade, por isso, não podemos cortar todos os ramos que cresceram nesse ano porque são eles que garantem a produção de azeitona no ano seguinte”, alerta Maria Dolores Humanes.

Todos os ramos que cresceram em 2020, podem produzir azeitona este ano. Assim, a poda deve ser feita após a colheita e até final de março, para dar tempo de a árvore sarar antes começar a florir, mas “é preciso saber que ramos se devem cortar e com que frequência”, sublinha a consultora. “Por exemplo, num olival em sebe, quando as oliveiras atingem um determinado tamanho, devem ser podadas todos os anos, para manter as árvores numa dimensão que as permita  entrar dentro da máquina de colheita”, mas no caso dos olivais intensivos ou tradicionais, devem ser podados ano sim ano não, para manter o equilíbrio entre folhas e madeira, ramos que possam vir a dar azeitonas no ano seguinte”.

Num olival tradicional ou intensivo, a poda de formação, a seguir à plantação, deve ser realizada todos os anos, até que cada árvore comece a produzir 15/20Kg, passando então a ser feita a poda de produção, de dois em dois anos, “embora continuemos a formar a árvore gradualmente”.

Maria Dolores Humanes explica também que “quando a árvore tem 25/30 anos devemos começar a fazer uma poda de rejuvenescimento, cortando cerca de 25% do seu volume de cada vez, para que se renove, mas se mantenha sempre produtiva”.

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Os olivais intensivos ou tradicionais, devem ser podados ano sim ano não, para manter o equilíbrio entre folhas e madeira, ramos que possam vir a dar azeitonas no ano seguinte. Foto: Ulrike Leone, Pixabay

Explicando de outra forma: “o olival começa a produzir 1.000 Kg/ha, 2.000 kg/ha, quando chego aos 6.000 kg/ha, começo a fazer podas de dois em dois anos e chegarei a produzir 10.000 a 15.0000 kg/ha, de média. Depois quando as árvores têm cerca de 25/30 anos, começamos a sentir mais as safras e contra safras e é altura de se começarem a renovar. E sempre assim, nestes ciclos até quase eternamente, porque as oliveiras podem continuar sempre a produzir”.

Na amendoeira, intensiva ou em sebe, a colheita é determinante

A amendoeira pertence ao género Prunus, como o pessegueiro e o damasco, e no caso da produção intensiva ou em sebe, como vamos falar aqui, “o fator determinante é a colheita, por ser mecânica”, explica à Agriterra Nuno Sousa, diretor agrónomo da Veracruz, que nos últimos anos tem vindo a plantar amendoal na zona de Idanha-a-Nova e que pretende chegar os 2.000 hectares.

No entanto, o objetivo principal da poda continua a ser o mesmo: dar mais luz aos ramos e folhas para que venham a produzir gomos florais e depois frutos. E, aí, a luz é sempre o fator fundamental, complementado por todo o restante maneio (rega, adubação, etc.).

O diretor agrónomo da Veracruz salienta que ”tem havido uma grande evolução nos porta-enxertos e no restante material vegetal”, ajudando bastante o trabalho no campo. A maioria dos amendoais da empresa são ainda jovens, por isso “ainda estamos a fazer poda de formação, mas há vários a produzir e aí a poda já é quase só mecânica.

O fator mão-de-obra – tal como no caso da colheita, aqui não só por haver pouca disponibilidade mas também pelo custo – influencia igualmente a decisão de avançar para a poda mecânica, nos amendoais em sebe, “preferia só o fazer a partir dos 1,50mt/2mt de altura das árvores, porque a poda mecânica é ‘cega’”, reconhece Nuno Sousa.

O diretor agrónomo explica-nos que “usamos a smart tree da Agromillora, por isso a amendoeira não tem eixo definido, deixamos cerca de 50cm de tronco livre e vamos fazendo atarraques sucessivos de 30/40cm, promovendo andares produtivos”.

“Fazemos, normalmente, três podas manuais para formar os tais andares, até a árvore atingir cerca de 1,20mt. Se plantamos em abril/maio, no inverno já poderemos ter de fazer uma poda mecânica, dependendo da variedade, porque, por exemplo entre a Avijor, a Lorane e a Soleta, esta última ramifica muito mais. Assim, fazemos atarraques aos 30/35cm e aos seis meses já fazemos uma poda mecânica”.

Mas o responsável adianta que vão sempre fazendo mais patamares produtivos, cada um com 30/40cm, “até a árvore chegar à altura final de 2,50/2,70mt, normalmente à terceira primavera, altura em que começamos a colher as primeiras amêndoas”.

Em conjunto com as podas, Nuno Sousa adianta que “também não fazemos adubações muito azotadas para que as árvores não criem muita madeira”.

Entre o amendoal intensivo e em sebe, o diretor agrónomo da Veracruz refere que a sebe entra em produção mais cedo mas que também precisa de muitos cuidados porque “como tem mais densidade, há menor arejamento e maior probabilidade de desenvolver doenças, pelo que, na poda também é preciso ir libertando o interior da árvore”, uma vez que o arejamento e a luz que a planta recebe são fatores fundamentais.

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