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Informação profissional para a agricultura portuguesa

Projeto ISOmap Forragem promove transferência de conhecimento e tecnológica

Emília Freire19/05/2022
Fomos conhecer em pormenor o projeto ISOmap Forragem – que dá continuidade à linha de investigação e transferência de tecnologia iniciada com o projeto MechSmart Forages –, que é um dos projetos do IPPortalegre e tem como objetivos transferir conhecimento nas áreas da mecanização agrícola e agricultura de precisão aplicadas à produção de forragens.
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O ISOmap Forragem, liderado pelo Instituto Politécnico de Portalegre, decorre até agosto de 2022.

Um dos focos da nova Política Agrícola Comum (PAC) é a sustentabilidade da produção e “a produção animal é muito importante para a sustentabilidade dos territórios, sendo que mais de 50% da Superfície Agrícola Útil (SAU) nacional são pastagens pobres quase a roçar o abandono”, refere Luís Alcino Conceição, responsável pelo projeto ISOmap Forragem – Tecnologias Normalizadas na Produção de Forragens, liderado pelo Instituto Politécnico de Portalegre, e que decorre até agosto de 2022.

Por isso, adianta que “este projeto tem uma visão clara dos novos itinerários culturais na produção de culturas forrageiras e criando uma rede de informação e transferência de conhecimento através de sinergias entre a investigação, o ensino superior e o setor empresarial agropecuário”.

O projeto, que dá continuidade à linha de investigação e transferência de tecnologia iniciada com o projeto MechSmart Forages (http://mechsmartforages.ipportalegre.pt/), está a ser desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agrária de Veterinária (INIAV), com campos de ensaio na Herdade da Comenda, em Elvas, onde estivemos à conversa com Luís Alcino.

O professor do IPPortalegre – e também coordenador do Centro Nacional de Competências para a Inovação Tecnológica do Setor Agroflorestal (InovTechAgro) – explica-nos que com o projeto se pretende “contribuir para a melhoria da eficiência do uso de máquinas agrícolas com tecnologia assente na Norma ISO 11783 para aplicação a taxa variável de fatores de produção em itinerários técnicos de produção de forragens compatíveis com a gestão sustentável dos recursos naturais como o solo e a água”.

Para atingir estes objetivos específicos, a equipa de investigadores tem vindo a fazer demonstrações da utilização de máquinas para aplicação a taxa variável de produtos fitofarmacêuticos (herbicidas e fertilizantes); da criação de mapas de prescrição para aplicação de produtos a taxa variável; explicar e demonstrar os resultados obtidos por diferentes técnicas de deteção remota para o delineamento de zonas de maneio diferenciado e aplicação de produtos a taxa variável; bem como contribuir para o uso de novos itinerários culturais na produção de forragens conciliando técnicas de conservação do solo e da água com a aplicação a taxa variável de fatores e produção; e demonstrar a importância do uso de tráfego controlado na gestão de parcelas com a produção de forragens.

“Estes campos de ensaio na Herdade da Comenda não são mobilizados desde 2015, praticamos sementeira direta e fazemos avaliação do solo através do estudo da condutividade elétrica e estamos a estudar o custo/benefício entre a produção e a metodologia de aplicação a taxa variável”, salienta Luís Alcino.

Todas as máquinas têm o sistema ISObus para que todos os dados fiquem disponíveis e possam ser analisados, “queremos simplificar a componente instrumental, desenvolvendo uma metodologia de base que possa ser trabalhada em conjunto com a componente agronómica, adaptando às condições de cada solo e do clima a cada momento”.

Métodos e resultados disponíveis no YouTube

Para cumprir o objetivo de “facilitação instrumental do uso da tecnologia utilizada no projeto”, e aproveitando as tecnologias digitais de que dispomos, o projeto ISOmap tem já um canal no YouTube que os agricultores podem consultar, com vídeos simples e demonstrativos, como podem usar os equipamentos e fazer as várias camadas de um mapa de prescrição.

Devido ao sistema ISObus (uma linguagem de comunicação entre o trator e a alfaia), todas as instruções que queremos dar à máquina que temos ligada ao trator – pulverizador, distribuidor de adubo, etc. – podemos fazê-lo a partir da cabine do trator, onde também recebemos todos os dados da tarefa em tempo real, permitindo fazer os ajustes necessários a cada momento, explica o responsável do projeto.

Por exemplo, no nosso trator de demonstração, existem dois ecrãs, sendo um para as funções do trator e o outro dedicado às funções de agricultura de precisão – “onde temos toda a informação que vem da máquina operadora, é também aqui que carregamos toda a informação de cartografia digital e é daqui que seguem para a máquina as instruções previstas nessa cartografia”, descreve, adiantando que “ao possuir este protocolo de comunicação equipamento o agricultor possa depois adquirir e utilizar uma alfaia de qualquer fabricante independentemente da marca do trator".

Luís Alcino acrescenta ainda que “mesmo que o agricultor tenha um trator mais antigo, pode optar por comprar uma linha ISObus dedicada e ligá-la ao sistema de autoguiamento do trator e passando a ter as funcionalidades de origem de um sistema ISOBUS".

“Devido ao sistema ISObus, todas as instruções que queremos dar à máquina que temos ligada ao trator – pulverizador, distribuidor de adubo, etc. – podemos fazê-lo a partir da cabine do trator, onde também recebemos todos os dados da máquina em tempo real, permitindo fazer os ajustes necessários a cada momento”

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Informação agronómica: uma decisão do agricultor

Como se pode ver nos tutoriais disponíveis no canal de Youtube do ISOmap Forragem, há possibilidade de se carregarem várias ‘camadas’ de informação no sistema, de forma a dar instruções o mais completas possível às alfaias.

Por exemplo, de acordo com a carta de NDVI da cultura (que se pode ir buscar à plataforma Sentinel), em conjunto com as informações da mesma parcela dadas pela condutividade elétrica do solo e da ceifeira na campanha anterior, tendo em conta o clima registado e previsto, o agricultor define então as doses de adubo (por exemplo) que quer aplicar em cada zona que o NDVI identifica.

Entre muitas outras informações e análises que podem ajudar o agricultor a decidir as quantidades de herbicida, adubo, etc. a aplicar, Luís Alcino refere que nos ensaios que estão a fazer na Comenda, para as várias parcelas e misturas forrageiras (três misturas com base em gramíneas e leguminosas – azevéns, triticale e trevos anuais), “a partir da condutividade elétrica do solo foi feita a avaliação física, química e biológica do solo (azoto, fósforo, potássio, matéria orgânica, etc.), à qual se juntam dados de deteção remota com origens em diferentes plataformas, nomeadamente a plataforma Sentinel e imagens áreas obtidas por voos de baixa altitude com um drone. Cruzamos esta informação com amostras georreferenciadas da forragem que temos no terreno e com dados de anos anteriores, porque temos o pivot no mesmo local do projeto MechSmart Forages que fizemos anteriormente, e ainda com imagens de matéria verde e seca, bem como com algumas avaliações bromatológicas, como teor de proteína bruta e de fibra”.

Nestes ensaios, de acordo com o ano meteorológico, a condução dos cortes da forragem é feita com a utilização dos animais, e ou com cortes mecânicos para fenossilagem e feno. Em regra, o restolho é sempre pastoreado de um ano para o outro.

Luís Alcino adianta que todos os resultados irão sendo atualizados no site e no canal de Youtube do projeto: https://isomapforragem.ipportalegre.pt/.

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Todas as máquinas têm o sistema ISObus para que todos os dados fiquem disponíveis e possam ser analisados, salienta Luís Alcino.
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