Informação profissional para a agricultura portuguesa

Evento organizado pela Interempresas Media, ISFA e Agromillora

Primeira edição da DemoAlmendro reuniu em Cáceres quase 2.000 pessoas

Redação Interempresas/Tierras/Agriterra04/07/2022
A DemoAlmendro 2022 registou um nível de participação muito elevado durante os dois dias do evento em que foram apresentadas as últimas inovações para o cultivo da amêndoa. O ponto alto da conferência foi a apresentação do projeto promovido pelo grupo Iberian Smart Financial Agro (ISFA), que planeia investir 50 milhões de euros na construção de uma fábrica de transformação de amêndoas com uma capacidade de 90.000 toneladas na cidade de Miajadas, na Extremadura. A Veracruz e a Aerobotics marcaram presença no certame e fazem um balanço do mesmo.
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O evento decorreu durante dois dias na herdada 'La Copa' e contou com elevado nível de assistência, sendo que pôde ser visto em direto no canal 'Jornadas Interempresas' no YouTube, onde o conteúdo completo da DemoAlmendro 2022 ficará disponível em breve.

A DemoAlmendro 2022, organizada pela Interempresas Media, Agromillora e ISFA, reuniu quase 2.000 pessoas na herdade 'La Copa', localizada no município de Logrosán (Cáceres). Após um primeiro dia com um grande número de visitantes desde o início da manhã, o segundo dia registou um elevado nível de participação tanto presencialmente como através de transmissão em direto. A DemoAlmendro 2022 alcançou, assim, o seu objetivo de se tornar o evento de referência na Europa para o cultivo da amêndoa.

O segundo dia começou com demonstrações de máquinas no campo desde a primeira hora da manhã. Uma seleção das principais marcas de equipamento agrícola apresentou as últimas inovações relacionadas com a colheita, pulverização, preparação e poda do solo, plantação, etc. Os participantes tiveram a oportunidade de ver como as máquinas funcionam no terreno e de fazer perguntas técnicas aos representantes das empresas.
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Na DemoAlmendro 2022, foi discutido o papel das novas tecnologias no setor agrícola.

Seguiu-se uma série de mesas redondas com a participação de especialistas que partilharam os seus pontos de vista sobre questões importantes relacionadas com o cultivo da amêndoa. O primeiro destes fóruns de discussão centrou-se no papel que as novas tecnologias estão a desempenhar na agricultura e, em particular, nesta alternativa de culturas de alto valor. A sessão foi moderada pelo jornalista agroalimentar César Marcos, que se concentrou na necessidade de melhorar substancialmente o acesso à Internet nas zonas rurais como ponto de partida para a implementação bem sucedida de novas ferramentas agrícolas digitais nas zonas rurais.
Joan Torrents, consultor agrónomo da ModpoW e Fertiadvisor, salientou que a escassez de recursos hídricos em algumas áreas e o elevado custo dos fatores de produção causados pela guerra na Ucrânia e o elevado custo da energia “tornam necessário otimizar a tomada de decisões” nas operações agrícolas através da agricultura de precisão.
José Francisco Navas, CTO da ISFA, destacou o compromisso que o seu grupo assumiu com a digitalização, e que considera um apoio “essencial”. Navas comentou que um dos pontos mais importantes facilitados pela tecnologia é a possibilidade de aceder a dados históricos que nos permite conhecer a incidência de geadas ou as caraterísticas do solo numa parcela específica, entre outros aspetos.
Gustavo Ramos, Diretor de Operações Agrícolas da Veracruz, disse que a agricultura digital "é apenas parte da solução" para alcançar os objetivos de sustentabilidade ambiental, económica e social que o setor primário estabeleceu para o seu futuro imediato. O responsável também acredita que o acesso a estes instrumentos para pequenos e médios agricultores pode ser alcançado através de cooperativas e empresas de serviços.
Por último, Juan José Herrero, engenheiro agrícola na empresa Cortijo de la Reina, sublinhou que “precisamos que as novas tecnologias sejam altamente adaptadas às necessidades deste setor, a fim de facilitar o seu manuseamento e alcançar a máxima eficácia na sua aplicação”. Acrescentou que toda esta tecnologia não substitui os técnicos ou os próprios agricultores, que devem continuar a aplicar os seus conhecimentos e experiência no terreno.
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Especialistas de centros de investigação participaram na mesa redonda sobre melhoramento genético em novas variedades de amendoeiras.

Novas linhas de investigação em amendoal: melhoramento genético ao serviço do progresso

A segunda mesa redonda foi moderada por David Pozo, diretor da Área Agroalimentar da Interempresas Media. O debate centrou-se em torno do trabalho que está a ser realizado pelos diferentes centros de investigação que trabalham em Espanha com o objetivo de obter novas variedades de amendoeiras.
Ignasi Batlle, investigador do IRTA na Catalunha, salientou a importância de experimentar novas variedades a fim de as adaptar às diferentes zonas agroclimáticas onde o cultivo de amendoeiras está a ser promovido. Batlle mostrou-se a favor da promoção de um modelo de financiamento para programas nacionais de melhoramento através de uma organização interprofissional, imitando o que já está a ser feito nos Estados Unidos, a principal potência mundial neste mercado.
Durante o seu discurso, María José Rubio, investigadora do CITA, contribuiu com a ideia de que a resistência à doença “não vai ser combatida apenas com o melhoramento genético, mas também com a adição de bioestimulantes e a aplicação de microrganismos”. Rubio acredita que a investigação de novas variedades em Espanha "é barata" em comparação com os avanços que estão a ser postos à disposição do setor.
Federico Dicenta, Professor de Investigação no CEBAS-CSIC, salientou que a investigação em curso em Espanha sobre o cultivo de amendoeiras tem produzido resultados mesmo fora do país. Referiu-se também ao boom do cultivo orgânico como uma das alavancas que deveria impulsionar a investigação de novas variedades resistentes a doenças, um aspeto igualmente importante em termos de limitação da utilização de produtos fitossanitários promovidos pela Europa.
Manuel Puebla, técnico do CICYTEX na área da Horticultura, salientou a importância de mecanizar o cultivo de amendoeiras em sistemas intensivos. Esta opção de gestão poupa tempo em tarefas agronómicas e tem um efeito favorável em caso de escassez de mão-de-obra.
Octavio Arquero, um investigador do IFAPA com vasta experiência neste tipo de cultura, advertiu que “a rentabilidade desta cultura não deve levar-nos a plantá-la em zonas edáficas e climáticas que não sejam adequadas para o seu desenvolvimento”.
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Membros da mesa redonda sobre 'Casos de sucesso no cultivo da amêndoa'.

Casos de sucesso no cultivo da amêndoa

Na terceira mesa redonda, quando questionado sobre o segredo do sucesso no setor do amendoal, Brígido Chambra, CEO da Chambra Agrícola, disse que "é preciso realizar um estudo preliminar aprofundado sobre o que se quer fazer, onde se quer plantar e como se quer levar a cabo a operação". Para desenvolver o projeto, sugeriu seguir os conselhos de técnicos, com estudos específicos para cada área. Rafael Sánchez, Diretor da Agroindustrias Maned, acredita que “muita gente vem à cultura da amêndoa a partir da oliveira quando são culturas totalmente diferentes, porque as amendoeiras requerem muito mais atenção do que as oliveiras e mais conhecimento porque as patologias evoluem muito mais rapidamente do que nas oliveiras”.
Questionado por que razão os investidores escolhem esta cultura, Pedro Branco, COO da Futuralmond, garantiu que os grandes investidores não assumem riscos, "é por isso que utilizam os avanços tecnológicos e realizam estudos aprofundados de antemão". Sánchez Gavilán concorda com Branco que é necessário realizar estudos preliminares em cada zona porque, segundo ele, na Península Ibérica existem três zonas diferentes para o cultivo da amêndoa: a parte norte de Espanha, com mais água disponível mas com maior risco de geadas; a parte sul de Espanha, com melhor clima mas com problemas de água; e o Alentejo português, com mais água, mas também com maior risco de doenças.
Sobre a questão de como resolver a falta de mão-de-obra, todos os participantes nesta mesa redonda concordaram que o trabalho de cultivo deve ser mecanizado tanto quanto possível, e o amendoal é uma cultura muito favorável à mecanização. Sobre este ponto, Jorge Crespillo, Administrador de Crespillo Insecticidas e Full Life, está mais preocupado com a falta de água do que com o trabalho, “porque os outros problemas são mais fáceis de resolver”, afirmou. Branco concorda, para quem a água é o fator mais limitante no cultivo da amêndoa.
Finalmente, quando questionados sobre o futuro do amendoal tradicional, todos os participantes consideraram que este terá de ser reciclado para sobreviver, embora Pedro Branco tenha oferecido uma visão esperançosa, indicando que na Califórnia a exploração agrícola média é inferior a 30 hectares, ou seja, uma exploração familiar, razão pela qual considera que também há espaço para amendoais tradicionais.

O que exige a indústria no processamento de amêndoas?

A seguir, foi a vez da indústria da amêndoa debater as necessidades de qualidade no fornecimento de matérias-primas. José Luis Balanzá, coordenador geral da Descalmendra, declarou que tanto o descasque como a secagem das amêndoas “são pontos críticos” para a qualidade e segurança alimentares.
Balanzá também insistiu na necessidade de a indústria processar amêndoas “tão uniforme quanto possível e, acima de tudo, com homogeneidade entre lotes”. O responsável da Descalmendra salientou que esta é uma das caraterísticas que distingue a indústria na área de produção da Califórnia, “um objetivo que já está a ser trabalhado em Espanha”, indicou.
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Begoña García Bernal, ministra da Agricultura, Desenvolvimento Rural, População e Território do Governo Regional da Extremadura.
STETChaparro Agrícola e Industrial, S.L.Agrogarante - Sociedade de Garantia Mútua, S.A.

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