O Fórum de Energia e Clima aponta a certificação do consumo hídrico como solução para combater este fenómeno climático, essencialmente causado pelo desperdício no setor agrícola, que consome 75% da água em Portugal.
“A procura de soluções eficientes para a rega agrícola deve ser uma prioridade, sendo esta atividade tão importante para o país como para a gestão eficaz dos recursos hídricos. A eficiência hídrica deverá passar pela implementação de medidas que permitam calcular os custos reais da água, nomeadamente nas produções agrícolas, evitando perdas e minimizando o desperdício e investindo na inovação colaborativa e em opções produtivas”, defende Hugo Xambre, membro do Fórum de Energia e Clima e Vice-Presidente das Águas do Tejo Atlântico.
Esta questão ganha particular relevância numa altura em que 97,1% do território se encontra em seca severa, verificado no passado mês de maio – o mais quente dos últimos 92 anos – em que choveu 13% do registado entre 1971 e 2000, segundo dados do Boletim Climático do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Tendo em conta este forte impacto da gestão hídrica na seca e na produção alimentar, o Fórum de Energia e Clima aconselha a adoção de sistemas de rega mais eficientes, como rega enterrada ou “gota a gota”, ou a utilização de inovação tecnológica que permita a precisão e otimização desse processo. “Um esforço de investimento em tecnologia que poderá não ter um retorno financeiro imediato, mas que será determinante para poupar os recursos hídricos, aumentando, inclusive, a competitividade do setor”, salientou Hugo Xambre.
Também para Ricardo Campos, Presidente do Fórum da Energia e Clima “a certificação do consumo hídrico irá distinguir aqueles que estão dispostos a dar um salto evolutivo e têm uma maior preocupação ambiental daqueles que ainda não têm a consciência dos perigos que representam uma deficiente gestão dos recursos hídricos”, tendo afirmado ainda que “uma das grandes prioridades de investimento deve ser o combate às perdas nos sistemas em baixa de abastecimento público de água, não podemos aceitar que num tempo da internet das coisas, dos sensores, da digitalização, em Portugal ainda existam concelhos com perdas de água superiores a 50%”. O responsável acrescentou ainda que “todos os anos são perdidos mais de 32.500 mil milhões de litros de água tratada em todo o mundo”.
O Fórum de Energia e Clima insiste na importância de garantir a sustentabilidade no setor da água, apostando sobretudo em medidas que minimizem este problema ambiental para que os esforços e os recursos não sejam desperdiçados.
Sobre este tema da Água, realizar-se-á, em Beja, a próxima III Energy and Climate Summit, nos dias 19 e 20 de outubro.
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