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Agricultura 4.0: “é urgente a transferência efetiva de tecnologia para o setor”

Ana Clara01/07/2022

O Laboratório Colaborativo para a Inovação Digital na Agricultura (SFCOLAB) promoveu, a 29 de junho, no auditório da Feira de São Pedro, em Torres Vedras, o ‘IV Fórum Agricultura 4.0: a transição digital do setor’. A digitalização da agricultura portuguesa e a transferência de tecnologia foram algumas das ideias-chave lançadas no evento. Nuno Canada, Presidente do INIAV, analisou os vários desafios para o futuro sendo que não tem dúvidas: urge trabalhar ativamente na “transferência efetiva de tecnologia para o setor”.

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Fórum decorreu no auditório da Feira de São Pedro, em Torres Vedras, a 29 de junho.

Samuel Pereira, Vice-Presidente do SFCOLAB, abriu a sessão fazendo um périplo pelo trabalho do Laboratório, que, em 2021, esteve envolvido na submissão total de 36 projetos, 21 nacionais e 15 internacionais. “Atualmente, temos cinco projetos aprovados e em curso”.

Entre os vários projetos em curso, o responsável salientou o Smart Farm 4.0, ‘um projeto mobilizador que visa contribuir, de forma decisiva, para a digitalização da agricultura, mais inteligente, sustentável e preditiva”.

Samuel Pereira recordou os protocolos que o SFCOLAB estabeleceu entre várias entidades nacionais e internacionais, entre eles, com a AJAP, a startup Leiria, a Agriterra, a Câmara Municipal do Fundão, a Arruda Lab, entre outras. “Gostava de dizer que o COLAB é uma instituição de acolhimento de teses de doutoramento com CAP internacional, visa o desenvolvimento de nanossensores e de modulação de doenças de plantas em ambientes de estufa”, realçou.

Sublinhou também a importância das ações junto das escolas, “crucial para a disseminação do conhecimento”. Referiu ainda que há igualmente produtos desenvolvidos na área da digitalização, como é o caso do SOFIS, com sensores customizados à necessidade real do agricultor, e com transmissão de dados em tempo real, permitindo facilmente aceder aos dados através do telemóvel.
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Samuel Pereira, Vice-Presidente do SFCOLAB, abriu a sessão fazendo um périplo pelo trabalho do SFCOLAB.

A Presidente da Câmara de Torres Vedras, Laura Rodrigues, que acumula a presidência do SFCOLAB, destacou igualmente na sua intervenção o trabalho do Laboratório nos últimos dois anos. “Como todos sabem, o setor agrícola em Torres Vedras assenta na viticultura desde tempos imemoriais, e este subsetor continua a ser muito importante depois de vicissitudes que teve pelo meio. Contudo, atualmente é muito pujante e podemos dizer que produzimos em todo o concelho vinhos de muita qualidade, sendo essencial continuar o trabalho de valorização”.

A responsável lembrou ainda que “a horticultura protegida é, desde os anos 70, outra área que assume muita importância quer em termos da produtividade e economicamente, mas também da inovação e digitalização do setor. A fruticultura é o nosso terceiro bem maior no concelho a nível agrícola”.
A edil lembrou igualmente os desafios no setor agricultura, desde as alterações climáticas ao envelhecimento populacional, passando pela produtividade e desempenho ambiental, mas também a preservação do solo e da água e a utilização mais eficiente dos fatores de produção.
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A edil Laura Rodrigues relembrou os desafios prementes do setor agrícola.

“A produção sustentável é absolutamente central para a sobrevivência das empresas”

Um dos oradores deste Fórum foi Nuno Canada, Presidente do INIAV, que abordou a importância dos polos de inovação no desenvolvimento, testagem e transferência de conhecimento e tecnologia.

Para o responsável, é “fulcral ter sítios no terreno onde possamos desenvolver a tecnologia, testá-la, mas também experimentar soluções de base tecnológica e outras que estão a ser utilizadas noutras partes do mundo. Temos de avaliar como se comportam, uma vez que parte delas têm de ser adaptadas à nossa realidade. Além disso, estes polos são muito importantes para demonstrar tecnologia, mostrar o que funciona ou não, e para formar as pessoas”.

“A formação dos técnicos e agricultores para a adoção desta nova dimensão é absolutamente central, sem isso, não seremos capazes de adotar as soluções”, vincou Nuno Canada, relembrando a Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030, "uma iniciativa passa por criar uma Rede de Inovação, e que vai levar à modernização de diversos polos de inovação, que estão em estádios diferentes de desenvolvimento". 

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“A digitalização e a mecanização é outro desafio devido à disponibilidade de recursos humanos", disse Nuno Canada, Presidente do INIAV.
“É urgente a transferência efetiva de tecnologia para o setor. Atualmente, a produção sustentável é absolutamente central para a sobrevivência das empresas. Na Europa, temos dois grandes eixos, uma Europa mais verde e mais digital. Sabemos que para conseguirmos produzir mais com o que temos, ou até com menos, temos que incorporar mais conhecimento, tecnologia, agricultura de precisão. E a agricultura 4.0, com muita incorporação de inteligência artificial, vai ser aquilo que, de facto, nos vai permitir dar passos enormes, ter eficiências muito elevadas com forte impacto económico nas empresas, mas também ter um uso muito mais eficiente dos recursos com grande impacto ambiente e societal”, explicou Nuno Canada.
Para o Presidente do INIAV, são muitos os desafios que temos pela frente: a produção de alimentos (nas próximas décadas vamos ter de aumentar em 50% os alimentos que estamos a produzir, mais ou menos com os mesmos recursos), “com elevados padrões de segurança alimentar, porque quem não os manter está fora do mercado”. Depois, prosseguiu, “sabemos que a combinação da globalização com as alterações climáticas está a ter um efeito muito grande no aparecimento de novas pragas e doenças. Há uma dimensão muito importante com os insetos que, com as alterações climáticas, estão a deslocar-se para outras latitudes e estamos a ter muitos problemas de pragas causadas por insetos e muitas doenças transmitidas por vetores. E a tecnologia através de ferramentas de deteção precoce de doenças, vigilância, controlo e metodologias de diagnóstico laboratorial vai ser muito importante”.
A questão da escassez dos recursos naturais, a água e o solo, a transição energética são outros desafios prementes que já estão aí e que os agricultores se vão confrontar cada vez mais, lembrou.

Todavia, recordou que, no caso de Portugal e das cadeias de valor, “temos muita dificuldade em competir pela escala e há uma dimensão que vai ser decisiva: a valorização do produto. Inovar no modelo de negócio, é essencial”.

O responsável inclui ainda na sua intervenção a circularidade, tema também importante, tendo em conta as taxas de desperdício enormes no setor agroalimentar.
“A digitalização e a mecanização é outro desafio devido à disponibilidade de recursos humanos. Temos muita dificuldade de ter recursos humanos neste setor. E não temos no terreno o que precisamos para enfrentar estes desafios. Apesar do caminho positivo, é essencial manter pressão neste ecossistema de inovação. Os laboratórios colaborativos podem ser decisivos neste caminho”, concluiu Nuno Canada.
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Revista Agriterra foi media partner e marcou presença no evento.
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