Michael Horney.
Na minha opinião, o mais importante é a disponibilidade de produto durante todo o ano em muitos dos mercados internacionais. Por outro lado, surgiram plantações de abacate em novas zonas de produção a nível global que estão a contribuir para esta disponibilidade. Este é o primeiro passo, e talvez o mais importante, para incluir este fruto na dieta de milhões de pessoas em todo o mundo. Na WAO queremos promover o seu consumo porque estamos convencidos de que se trata de um produto muito nutritivo e saudável que pode fazer parte da alimentação de todo o tipo de pessoas, desde crianças até pessoas de idade avançada.
Existem algumas variedades, para além da Hass, que vão sendo introduzidas no mercado para preencher algumas falhas ou lacunas ao longo da campanha. Também se nota interesse por parte dos investigadores e dos centros em inovar neste sentido, mas a realidade é que a variedade Hass é a que domina atualmente o mercado mundial do abacate. A tal ponto que as novas variedades que têm características semelhantes à Hass são as que têm maior possibilidade de abrir um espaço no mercado. O facto de disfarçar melhor eventuais defeitos físicos, de suportar melhor o transporte de longa distância e de ter um prazo de validade mais longo, continua a fazer da Hass a variedade preferida pelo mercado.
O mercado do abacate cresceu muito nos últimos anos. Nos Estados Unidos, estamos a notar que o consumo estabilizou, enquanto na Europa existe uma disparidade consoante as zonas. Cerca de 85% da Hass é comercializada entre os Estados Unidos e a Europa, mas a Ásia é atualmente um mercado em crescimento. A China saiu da pandemia com um aumento substancial do consumo, através de novas formas como os batidos de abacate. A Índia é um novo mercado, no qual a WAO deu os primeiros passos para a promoção do consumo e onde também estão a ser criadas novas plantações para assegurar o abastecimento durante todo o ano.
“A indústria associada ao abacate permite regularizar a economia e permite que os trabalhadores e os agricultores tenham acesso a proteção e seguros sociais”.
Penso que existem bastantes mitos em torno do abacate e um deles é o “abuso” dos recursos hídricos por parte desta cultura. No entanto, existem relatórios e estudos que demonstram o contrário. Penso que o stress hídrico que ocorre em algumas zonas não é sentido apenas pelo abacate, mas a agricultura em geral padece do mesmo, e o consumo de água por quilo encontra-se atualmente em níveis muito baixos em comparação com outros produtos agrícolas, como a carne ou o queijo. Em países como Israel ou o Peru, está a ser realizado um trabalho intensivo para aproveitar a água recuperada para o cultivo e, em muitas zonas, representa uma fonte muito importante de recursos e de economia social.
Um exemplo do que eu estava a comentar é o Peru. Desde o ano 2000 que começou a promover a agricultura de exportação, e graças ao abacate e a outros produtos, o índice de pobreza desceu de 80% para 24%. Além disso, a indústria associada ao abacate permite regularizar a economia e permite que os trabalhadores e os agricultores tenham acesso a proteção e seguros sociais.
Dependendo da origem, existe uma utilização intensiva das novas tecnologias na produção de abacate. Especialmente na rega gota a gota, as inovações são cada vez mais, permitindo poupanças significativas de água que podem chegar até 50%. Também no âmbito da genética, com padrões de cultivo que consomem menos água e novas variedades que estão a ser testadas a nível global. Não me posso esquecer das inovações que estão a ocorrer na área da logística. É importante que as empresas de transporte marítimo estejam a avançar para uma transição ecológica, com a utilização de combustíveis mais limpos que reduzem a pegada de carbono do produto desde a origem até às prateleiras.
Principais países fornecedores de abacate da UE e do Reino Unido (Volume em toneladas. Junho de 2021 - Maio de 2022).
Este tipo de imagens de qualidade é positivo porque estabelece um padrão de qualidade que é incentivado num determinado mercado ou zona de produção. Mas esta é uma decisão que cabe a cada zona ou denominação de origem... Na WAO, o que pretendemos é aumentar o consumo deste fruto, promovendo-o entre todos os membros da associação que, ao mesmo tempo, são todos produtores de abacate.
A curto prazo, creio que a indústria deve fazer frente ao impacto que o efeito do “El Niño” está a ter na oferta mundial de abacate. A parte positiva é que temos um padrão de qualidade cada vez mais elevado em termos de produção, de origens que procuram entrar no comércio mundial de abacate, o que nos encorajará a conseguir uma oferta ainda mais permanente e ordenada. Em todo o caso, o desafio mais importante é aumentar o consumo de abacate no mundo e a melhor forma de o fazer é através da promoção e divulgação das qualidades nutricionais deste fruto.
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