A reduzida adesão aos seguros agrícolas em Portugal e os desafios colocados pelas alterações climáticas estarão no centro de uma sessão que reúne representantes da Hagel e da Agroseguro, com o objetivo de refletir sobre soluções para reforçar a resiliência do setor.
A agricultura vai estar em debate no Fórum Nacional de Seguros, que se realiza nos dias 7 e 8 de julho, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto.
No dia 7 de julho, Filipe Charters de Azevedo, mandatário geral da Hagel - Seguros Agrícolas, e Silvia Marques dos Santos, diretora de Produção e Marketing da Agroseguro, participam na conversa ‘Agricultura sem seguro: um risco que Portugal pode continuar a ignorar?’.
O debate tem como ponto de partida a baixa penetração do seguro agrícola em Portugal. O mercado nacional representa cerca de 30 milhões de euros em prémios anuais, um valor reduzido face à dimensão económica da agricultura portuguesa e à crescente exposição das explorações a riscos climáticos, perdas de produção e volatilidade de rendimentos.
“É importante que a agricultura esteja onde se discutem os grandes temas do setor segurador e de gestão de risco. O campo não precisa de discursos fáceis. Precisa de respostas sérias. O seguro agrícola é uma dessas respostas. Não resolve tudo, mas ajuda a proteger o que não podemos dar-nos ao luxo de perder: produção, famílias, território e futuro”, afirma Filipe Charters de Azevedo.
A comparação com Espanha vai ser um dos elementos centrais da discussão. A Agroseguro gere o sistema espanhol de seguros agrários combinados, considerado o maior mercado europeu de seguros agrícolas e um dos maiores do mundo, com mais de mil milhões de euros em prémios anuais. A experiência espanhola permite enquadrar diferentes modelos de organização, participação pública, gestão técnica do risco e envolvimento das seguradoras.
Para Silvia Marques dos Santos, diretora de Produção e Marketing da Agroseguro, “as alterações climáticas são hoje uma realidade que está a transformar a vida no campo, estação após estação, colheita após colheita. Por detrás de cada seca, de cada granizo ou de cada geada fora de tempo, há muito mais do que números: há famílias, projetos de vida e futuro em risco”. “O seguro agrícola vai muito além da proteção. É resiliência. É compromisso. É uma peça essencial para garantir que o campo continua a existir”, acrescenta Silvia Marques dos Santos.
O Fórum Nacional de Seguros é um dos principais encontros do setor segurador em Portugal. Organizado pelo Eco Seguros e pela Zest, com apoio institucional da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) e da Aprose – Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros, reúne seguradoras, mediadores, corretores, especialistas, empresas e decisores para debater os principais desafios do mercado segurador.

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