Portugal ocupa a primeira posição no novo Resilient Food Systems Index (RFSI), elaborado pela Economist Impact com apoio da Cargill, alcançando 76,83 pontos em 100 e liderando a classificação de 60 países avaliados quanto à capacidade de assegurar sistemas alimentares resilientes perante riscos climáticos, económicos e geopolíticos.
Portugal surge no topo do primeiro Resilient Food Systems Index, uma iniciativa da Economist Impact — unidade de investigação, análise e consultoria do grupo The Economist — que analisa a robustez dos sistemas alimentares globais perante perturbações crescentes associadas às alterações climáticas, às tensões comerciais, às crises económicas e aos riscos biológicos.
O índice, apoiado pela Cargill, avalia 60 países através de 71 indicadores quantitativos e qualitativos distribuídos por quatro pilares: acessibilidade económica, disponibilidade alimentar, qualidade e segurança alimentar e capacidade de resposta ao risco climático. A metodologia resulta de mais de uma década de investigação da Economist Impact em segurança alimentar e sustentabilidade, complementando iniciativas como o Global Food Security Index (GFSI) e o Food Sustainability Index (FSI).
Portugal alcançou uma pontuação de 76,83 pontos, seguido de França (76,75), Reino Unido (76,34) e Estados Unidos (75,30). No extremo oposto da classificação encontra-se a República Democrática do Congo, com 34,86 pontos, evidenciando uma diferença de 42 pontos entre o sistema alimentar mais resiliente e o menos resiliente entre os países analisados.
Segundo o Executive Summary, a principal questão colocada atualmente aos sistemas alimentares não é apenas a capacidade de produzir alimentos suficientes, mas a aptidão para garantir o abastecimento de produtos seguros, acessíveis e nutritivos perante cenários de disrupção. O relatório conclui que os instrumentos necessários para reforçar a resiliência já existem — nomeadamente políticas públicas, inovação tecnológica, mecanismos financeiros e capacidade regulatória —, mas continuam frequentemente dispersos e sem articulação estratégica.
A Economist Impact alerta igualmente para a elevada concentração da produção alimentar mundial. Apenas 15 países produzem cerca de 70% dos alimentos consumidos no mundo e 11 desses países estão também entre os 15 maiores exportadores, responsáveis por mais de 60% das exportações agroalimentares globais. Apesar do seu peso nos mercados internacionais, nenhum destes países apresenta um nível de resiliência capaz de proteger integralmente o sistema alimentar global de futuros choques.
O estudo identifica a resposta ao risco climático como a dimensão mais vulnerável do índice, com uma média global de 56,43 pontos. Embora a maioria dos países tenha vindo a reforçar o investimento em investigação agrícola de baixas emissões e na adoção de práticas agrícolas sustentáveis, persistem fragilidades ao nível dos compromissos políticos, da definição de metas específicas para a agricultura e da implementação de estratégias de mitigação e adaptação.
Outra das conclusões do relatório diz respeito à acessibilidade económica dos alimentos. Apesar de a dimensão da acessibilidade apresentar uma média global elevada, de 71,83 pontos, os autores alertam para a persistência de desigualdades nutricionais. Em 62% dos países analisados, a dieta saudável de menor custo representa cerca de dois terços do rendimento disponível das famílias com menores recursos.
O documento destaca ainda a necessidade de reforçar o investimento em infraestruturas logísticas, cadeias de frio, armazenamento, conectividade rural e digitalização agrícola, áreas consideradas determinantes para reduzir perdas alimentares, aumentar a disponibilidade de produtos e melhorar a ligação entre agricultores, mercados e consumidores.
Para a Economist Impact, a resiliência alimentar deve passar a ser encarada como um elemento estruturante das políticas agrícolas e alimentares, numa altura em que os sistemas de produção enfrentam pressões crescentes decorrentes das alterações climáticas, da escassez de recursos naturais e da volatilidade dos mercados internacionais.
Consulte o estudo aqui.
A Economist Impact é a divisão de investigação, análise e consultoria do grupo The Economist. Desenvolve estudos e índices internacionais sobre sustentabilidade, agricultura, sistemas alimentares, energia, saúde e desenvolvimento económico. Entre os seus principais projetos encontram-se o Global Food Security Index (GFSI), o Food Sustainability Index (FSI) e o Resilient Food Systems Index (RFSI).
A edição de 2026 analisa 60 países através de 71 indicadores, agrupados em quatro pilares:
O índice baseia-se em mais de 13 anos de investigação da Economist Impact em agricultura, sustentabilidade e segurança alimentar e complementa outros referenciais internacionais, como o Global Food Security Index e o Food Sustainability Index.

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