A área ardida em Portugal ultrapassou os 30 mil hectares em 2026 até ao início do mês de julho, o valor mais elevado desde 2017 para o mesmo período, segundo dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) divulgados pela agência Lusa. Na sequência da vaga de calor e do agravamento do risco de incêndio, Portugal ativou, a 3 de julho, o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, tendo recebido reforços de meios terrestres e aéreos para apoiar o combate aos fogos.
De acordo com o SGIFR, gerido pela Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), os 4.592 incêndios rurais registados este ano consumiram 30.155 hectares até 5 de julho. Só entre os dias 1 e 5 de julho arderam mais de 15 mil hectares, o que fez duplicar a área queimada em apenas cinco dias.
A região Centro é a mais afetada, com 14.244 hectares ardidos, impulsionados pelo incêndio que deflagrou em Vouzela, no distrito de Viseu, na madrugada de 2 de julho e que foi dominado a 6 de julho. A região Norte soma, por sua vez, 11.834 hectares queimados.
Comparativamente ao mesmo período de 2025, a área ardida quase quadruplicou, enquanto o número de incêndios aumentou cerca de 70%, atingindo o valor mais elevado desde 2022. Os dados, divulgados pela Lusa, indicam ainda que 56% da área ardida ocorreu em dias classificados com risco elevado de incêndio.
Perante a ocorrência simultânea de vários incêndios de grande dimensão em diferentes Estados-Membros, a Comissão Europeia mobilizou apoio através do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia. Portugal acionou o mecanismo a 3 de julho e recebeu, poucas horas depois, 118 bombeiros e 45 veículos provenientes de Espanha. Foram ainda destacados três aviões de combate a incêndios da reserva europeia rescEU, provenientes de Itália e de Espanha.
Segundo a Comissão Europeia, a resposta integra um dispositivo europeu mais alargado para a época de incêndios. Este ano, foram pré-posicionados 777 bombeiros de 14 países em zonas de maior risco, incluindo Portugal, estando também disponíveis 22 aviões e cinco helicópteros da frota europeia para apoiar os Estados-Membros sempre que necessário.
A Comissão Europeia recorda ainda que, em março deste ano, apresentou uma nova abordagem integrada para a gestão do risco de incêndios florestais, com orientações destinadas a reforçar a prevenção, a preparação, a resposta e a recuperação perante este tipo de ocorrências.

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