Nuno Russo, diretor executivo da Portugal Nuts.
Portugal está a emergir como um dos principais produtores de frutos secos da Europa e do mundo, especialmente de amêndoas e nozes. O setor de frutos secos em Portugal passou por um caminho notável de transformação, e esta evolução faz parte de um movimento mais amplo que modernizou a agricultura portuguesa.
Os frutos secos beneficiaram desta mudança estrutural, com investimentos também no setor industrial, surgindo unidades de processamento modernas, com unidades de descasque, pelagem, secagem e embalagem, marcas nacionais direcionadas para mercados de valor e uma presença crescente em feiras internacionais.
O setor está a mostrar um crescimento sólido, com um impacto direto na economia, na balança comercial e na reputação global dos produtos agroalimentares portugueses. Esta afirmação não é retórica: é sustentada por números, investimentos, tecnologia e resultados concretos.
Portugal é hoje o segundo maior produtor de amêndoa da Europa e já se posiciona entre os cinco maiores produtores e exportadores mundiais. No caso da noz, o país é o quinto maior produtor de noz da Europa, e estamos no top 15 dos maiores do mundo.
O crescimento da área de produção é revelador:
. 73.774 hectares de amendoal, mais do dobro de há dez anos;
. 5.720 hectares de nogueiras, quase duplicou em relação a 2014;
. 132.500 hectares de frutos de casca rija, um aumento de 90% na última década.
Segundo os dados do INE, em 2024, Portugal exportou mais de 130 milhões de euros em frutos secos, com as amêndoas a liderar, alcançando 100,24 milhões de euros - um aumento de 68,6% em comparação a 2023. As nozes também registaram uma subida significativa, atingindo 2,2 milhões de euros, um crescimento de 27,8% face ao ano anterior.
Com uma taxa de autossuficiência de cerca de 140% e uma balança comercial positiva de 76,4 milhões de euros, os frutos secos portugueses passaram a ser sinónimo de qualidade, sustentabilidade e inovação.
Este dinamismo traduz-se diretamente na economia nacional, e já em 2025, Portugal exportou mais de 156 milhões de euros em frutos secos, um novo máximo histórico, dos quais 115,45 milhões em amêndoa (+15% face a 2024) e 3,3 milhões em noz (+50% do que em 2024), representando 6% do total das exportações dos produtos vegetais nacionais.
Em termos globais, a área plantada registou um crescimento consistente, a produção aumentou de forma significativa, as exportações aceleraram de modo expressivo e o saldo comercial do setor permanece amplamente positivo.
Este crescimento não é obra do acaso: resulta de investimento dos nossos associados, e de outros produtores de frutos secos, mas também da visão do setor e da capacidade de adaptação das empresas às condições existentes.
O investimento estratégico na produção, resultante do compromisso com a tecnologia e inovação no setor, combinado com a gestão eficiente de recursos e fatores de produção, aumentou a produtividade e reforçou a competitividade internacional.
Paralelamente a este crescimento, surgiram novos investimentos, tanto domésticos como estrangeiros, nas áreas de produção e processamento, o que explica a tendência de crescimento na indústria e, consequentemente, nas quantidades de frutos secos processados.
Contudo, há necessidade de apoio ao investimento associada ao cluster dos frutos secos em Portugal, criando uma cadeia de abastecimento mais 'verticalizada' que permita uma maior criação de valor para a produção nacional, para que possa ser colocada no mercado internacional.
Ainda assim, há sinais claros de evolução. Pela primeira vez, a exportação de amêndoas sem casca ultrapassou as amêndoas com casca, representando agora 65% do valor exportado, um indicador de maior valorização e sofisticação do produto português.
O setor enfrenta, naturalmente, pressões crescentes, à semelhança dos restantes setores agrícolas: aumento dos custos de produção e energia, retirada e suspensão de substâncias ativas na proteção de culturas, política e regulação da água mais exigentes, volatilidade internacional dos preços e instabilidade do mercado.
Ultrapassar estes desafios exige uma gestão prudente e estratégias de diferenciação baseadas na qualidade, origem e certificação. E a resposta está a ser construída: mais organização, mais escala, mais inovação, mais processamento nacional, mais certificação e diferenciação pela qualidade e origem.
É necessário continuar a crescer, com sustentabilidade económica das operações, reduzindo custos, fortalecendo a cooperação entre produtores, investindo em inovação e transformação nacional, criando escala e focando em marcas próprias, para que o valor acrescentado permaneça no país.
Mas a inovação tecnológica é essencial - o uso de sensores, drones, modelos preditivos e gestão integrada de explorações, pesquisa aplicada em variedades, nutrição e proteção de culturas -, garantindo o avanço contínuo do conhecimento e da produtividade.
O potencial de crescimento continua enorme. A consolidação das áreas já plantadas, o investimento industrial e a diversificação de culturas, como pistácios ou avelãs, reforçarão a resiliência e rentabilidade do setor. A procura global por frutos secos continua a crescer, e o mercado mundial continua a expandir-se, impulsionados por novas tendências em alimentação saudável, dietas equilibradas e uma preferência por alimentos naturais de fontes sustentáveis.
A Portugal Nuts – Associação de Promoção de Frutos Secos tem desempenhado, e continuará a desempenhar, um papel fundamental nesta evolução, posicionando o país como um player competitivo, tanto nos mercados europeus como nos globais, através de ações promocionais, estudos técnicos, eventos e projetos de investimento e investigação, contribuindo para reforçar a imagem e o conhecimento dos frutos secos nacionais, garantindo um futuro promissor para a fileira.
Os frutos secos deixaram de ser apenas uma oportunidade: são hoje um exemplo de agricultura moderna e sustentável, e com visão de futuro. O setor está bem posicionado para continuar a crescer, a exportar valor e a afirmar-se como uma referência em qualidade e competitividade.
Portugal tem condições únicas — clima, conhecimento técnico, capacidade de inovação e produtores altamente profissionais — para se destacar como referência europeia e mundial na produção de frutos secos de elevada qualidade, sustentáveis e competitivos.
Há pouco mais de uma década, os frutos secos eram uma cultura marginal. Hoje, são uma das maiores histórias de sucesso da agricultura portuguesa.
O futuro não é apenas promissor: é uma oportunidade estratégica que o país não pode desperdiçar.

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