Chaparro Agrícola e Industrial, S.L.
Informação profissional para a agricultura portuguesa
Balanço da campanha produtiva hortofrutícola

Desenvolvimento sustentável da fileira: mobilizar conhecimento, inovação e cooperação

COTHN24/07/2026
A maioria das culturas apresenta um desenvolvimento vegetativo normal a bom e as previsões de produção são, em geral, favoráveis

O balanço da atual campanha hortofrutícola está a ser marcado pelas condições meteorológicas, que tiveram um impacto misto nas culturas. A precipitação situou-se, em geral, próxima dos valores normais, embora tenha ocorrido de forma muito concentrada em alguns períodos e regiõe. As temperaturas aumentaram significativamente na segunda metade do mês, acelerando o desenvolvimento vegetativo de várias culturas. Em algumas zonas verificaram-se episódios de vento forte e queda localizada de granizo, com prejuízos pontuais em culturas hortícolas e frutícolas.

Imagen

De uma forma geral, nas culturas hortofrutícolas observa-se, especialmente nas culturas arbóreas, um bom desenvolvimento vegetativo, com um vingamento considerado satisfatório, destacando-se a necessidade crescente de rega devido ao aumento das temperaturas.

Nesta fase será necessário estar alerta para riscos acrescidos de escaldão e de stress hídrico, caso persistam temperaturas muito elevadas durante o verão.

Em síntese, a maioria das culturas apresenta um desenvolvimento vegetativo normal a bom e as previsões de produção são, em geral, favoráveis. No entanto, o sucesso da campanha dependerá da gestão da água e da capacidade de mitigar os efeitos das ondas de calor previstas para o verão, que representam o principal fator de risco para a produtividade agrícola em 2026.

Evolução da produção e da oferta nas principais culturas hortofrutícolas;

Com base no Boletim Mensal do Estado das Culturas e Previsão de Colheitas (maio de 2026) e nas informações mais recentes do GPP, INE e CCDR, a campanha hortofrutícola de 2026 caracteriza-se, até ao momento, por uma evolução globalmente positiva da produção, suportada por boas condições de instalação e disponibilidade de água. A oferta encontra-se em crescimento, sobretudo nas frutas de verão e hortícolas frescas, o que tem contribuído para uma maior disponibilidade de produto no mercado e, em alguns casos, para uma redução dos preços à produção. A evolução da campanha dependerá, contudo, da intensidade das ondas de calor e da gestão da água durante o período estival.

Comportamento do mercado nacional e internacional, tendências de consumo e evolução dos preços

O mercado nacional caracteriza-se por uma oferta crescente de produtos sazonais, acompanhando a entrada em produção das frutas de verão e das principais hortícolas. Nesta fase, existe uma maior concorrência entre operadores à medida que aumenta a oferta, pressionando os preços à produção em algumas culturas, estando a procura interna relativamente estável, sustentada pelo consumo doméstico, apesar de um crescimento do consumo privado mais moderado em 2026, devido essencialmente ao aumento da inflação.

O comércio internacional continua a ser um dos principais motores do setor hortofrutícola português e tem-se destacado pela manutenção da procura dos mercados europeus por fruta portuguesa, especialmente pequenos frutos, pera Rocha, citrinos e tomate. Tem-se caracterizado ainda pela crescente valorização de produtos certificados, rastreáveis e produzidos de forma sustentável. Existe igualmente uma forte concorrência de países mediterrânicos como Espanha, Marrocos, Turquia e Egito, particularmente em produtos hortícolas frescos. Esta campanha de exportação ficará ainda marcada pelo impacto dos custos logísticos e da volatilidade dos mercados internacionais na competitividade das exportações.

Em termos de consumo, as principais tendências são a maior procura por produtos frescos e locais, associada à confiança na origem nacional. Destaca-se ainda o crescimento da preferência por alimentos saudáveis, com menor grau de processamento e a valorização de produtos com certificações de sustentabilidade e produção integrada ou biológica. Devido à conjuntura atual em termos de inflação, tem-se registado um aumento da sensibilidade ao preço, levando muitos consumidores a privilegiar promoções e produtos da época.

O preço na produção tem tendência para uma redução em algumas frutas de verão devido ao aumento sazonal da oferta e à estabilidade na maioria das hortícolas, com oscilações associadas às condições meteorológicas.

Segundo o Observatório de Preços Agroalimentar, os preços no consumidor, e relativamente às frutas, apresentam, em média, uma tendência de estabilização nos últimos períodos. Verifica-se ainda a maior transmissão das oscilações da oferta para os preços ao produtor do que para os preços no consumidor, onde a variação é geralmente mais moderada.

Impacto das condições climáticas, da disponibilidade de água, dos custos de produção e da mão de obra na competitividade das explorações

As condições meteorológicas continuam a ser um dos principais fatores de risco para a produção hortofrutícola.

As alterações climáticas têm vindo a aumentar a frequência dos fenómenos extremos, obrigando os produtores a adaptar calendários culturais, escolher variedades mais resilientes e investir em tecnologias de proteção das culturas.

A água permanece o principal fator estratégico para a competitividade das explorações.

Embora as precipitações registadas durante o inverno e a primavera tenham permitido recuperar parcialmente as reservas hídricas em várias bacias hidrográficas, a campanha continua dependente de uma gestão rigorosa da rega, destacando-se a necessidade de investimentos em sistemas de rega localizada, monitorização da humidade do solo e agricultura de precisão. As explorações com maior eficiência no uso da água apresentam maior estabilidade produtiva e melhor capacidade para enfrentar períodos de seca prolongada.

Projeto H2oEficient - equipamento de precisão para monitorização da rega
Projeto H2oEficient - equipamento de precisão para monitorização da rega.

Apesar da estabilização observada face aos aumentos registados nos últimos anos, os custos de produção continuam elevados, estando a campanha definitivamente afetada pela conjuntura geopolítica atual, que tem pressionado de forma significativa os custos de energia elétrica e combustíveis e fertilizantes.

Pilotos do projeto PRR FruiPV, para a produção de energia com recurso a painéis agrovoltaicos
Pilotos do projeto PRR FruiPV, para a produção de energia com recurso a painéis agrovoltaicos.

A disponibilidade de mão de obra continua a constituir um dos maiores constrangimentos da fileira hortofrutícola, persistindo dificuldades no recrutamento de trabalhadores sazonais para as colheitas, assegurar mão de obra especializada e ainda responder ao aumento do custo salarial decorrente da valorização do salário mínimo e da escassez de trabalhadores.

Principais desafios da comercialização, exportação e valorização da produção nacional

Os principais desafios da comercialização passam pela concentração da distribuição, que representa uma parte significativa das compras de frutas e hortícolas. Esta realidade traduz-se num elevado poder negocial dos retalhistas, o que provoca uma forte pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Outro desafio é a volatilidade da oferta e dos preços, devido essencialmente à natureza perecível dos produtos hortofrutícolas.

Relativamente à exportação, os principais desafios passam pela concorrência internacional, nomeadamente de países como Espanha, Marrocos, Egito, Turquia e Grécia. Em muitos destes países, nomeadamente os do norte de África, os custos de produção e da mão de obra são inferiores, permitindo maior competitividade em preço.

Um outro desafio são as exigências dos mercados, que obrigam a investimentos adicionais das empresas portuguesas exportadoras, essencialmente ao nível dos referenciais de qualidade e rastreabilidade e certificações ambientais e sociais.

A necessidade de valorização da produção constitui uma prioridade estratégica para aumentar o rendimento dos produtores. Esta valorização da nossa produção passa, essencialmente, pela diferenciação pela qualidade, uma vez que Portugal possui várias vantagens competitivas, tais como condições edafoclimáticas e elevada biodiversidade, que permitem termos produtos produzidos de forma sustentável e reconhecidos pela qualidade, tal como as Indicações Geográficas Protegidas (IGP) e Denominações de Origem Protegidas (DOP).

A valorização destas características permite reduzir a concorrência baseada exclusivamente no preço.

Projeto PRR RedeSusTerra - monitorização da biodiversidade funcional num pomar de cerejeira no Fundão
Projeto PRR RedeSusTerra - monitorização da biodiversidade funcional num pomar de cerejeira no Fundão.

Uma outra questão fundamental para a valorização da produção nacional passa pela organização da produção. O fortalecimento das Organizações de Produtores continua a ser determinante para concentrar a oferta, melhorar o poder negocial, planear a produção, reduzir custos logísticos e facilitar o acesso aos mercados internacionais.

Visita à Organização de produtores BelÓrta na bélgica no âmbito do projeto PRR Demo-net sobre o reforço da importância das organizações de produtores...
Visita à Organização de produtores BelÓrta na bélgica no âmbito do projeto PRR Demo-net sobre o reforço da importância das organizações de produtores.

As organizações representativas do setor, tal como o COTHN-CC, a FNOP e a Portugal Fresh identificaram como prioridades, no seu estudo estratégico para a fileira hortofrutícola, os seguintes aspetos:

• aumentar o valor acrescentado da produção nacional;

• reforçar a competitividade das exportações;

• reduzir a dependência da competição baseada no preço;

• melhorar a organização da oferta;

• investir em inovação e sustentabilidade;

• reforçar a promoção da origem ‘Portugal’;

• apoiar a internacionalização das empresas hortofrutícolas.

Inovação para fazer face às exigências e mercado

A modernização tecnológica das explorações tem vindo a acelerar, permitindo aumentar a eficiência produtiva e reduzir custos. Esta modernização passa essencialmente pela agricultura de precisão, digitalização da gestão agrícola, automatização e mecanização, e melhoramento genético e novas variedades. Estas tecnologias permitem aumentar a produtividade, reduzir desperdícios e melhorar a qualidade dos produtos.

Paralelamente, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se tornar um fator de competitividade e de acesso aos mercados, tendo como principais prioridades a gestão eficiente da água; a redução da pegada ambiental; a proteção fitossanitária sustentável e a economia circular.

A conjugação entre inovação e sustentabilidade abre novas oportunidades para a horticultura e fruticultura portuguesas, que passam pelo reforço da competitividade internacional; acesso a mercados de maior valor acrescentado; melhoria da eficiência produtiva; redução dos custos associados ao uso de água, energia e fatores de produção e, acima tudo, valorização da imagem dos produtos portugueses.

Prioridades e perspetivas para o futuro da fileira hortofrutícola portuguesa e o papel do COTHN nos seus 25 anos de atividade

As prioridades estratégicas para os próximos anos assentam na modernização das explorações, na valorização da produção nacional e no reforço da organização da fileira.

Os 25 anos do COTHN representam uma oportunidade de reflexão do trabalho realizado, mas, acima de tudo, olhar para os enormes desafios que se apresentam ao setor, de forma a colaborar ativamente para a modernização da horticultura e fruticultura portuguesas e para reforçar a sua missão futura.

Mural dos 25 anos do COTHN

Mural dos 25 anos do COTHN.

Num contexto de crescente complexidade, o desenvolvimento sustentável da fileira dependerá da capacidade de mobilizar conhecimento, inovação e cooperação entre todos os intervenientes. O COTHN encontra-se numa posição privilegiada para continuar a desempenhar esse papel, promovendo soluções técnicas, apoiando os produtores na adoção de novas tecnologias e contribuindo para uma agricultura mais competitiva, resiliente e sustentável.

REVISTAS

Ener-H2o 2026Induglobal, Unipessoal Lda - Agriterra

NEWSLETTERS

  • Newsletter Agriterra

    20/07/2026

  • Newsletter Agriterra

    13/07/2026

Subscrever gratuitamente a Newsletter - Ver exemplo

Password

Marcar todos

Autorizo o envio de newsletters e informações de interempresas.net

Autorizo o envio de comunicações de terceiros via interempresas.net

Li e aceito as condições do Aviso legal e da Política de Proteção de Dados

Responsable: Interempresas Media, S.L.U. Finalidades: Assinatura da(s) nossa(s) newsletter(s). Gerenciamento de contas de usuários. Envio de e-mails relacionados a ele ou relacionados a interesses semelhantes ou associados.Conservação: durante o relacionamento com você, ou enquanto for necessário para realizar os propósitos especificados. Atribuição: Os dados podem ser transferidos para outras empresas do grupo por motivos de gestão interna. Derechos: Acceso, rectificación, oposición, supresión, portabilidad, limitación del tratatamiento y decisiones automatizadas: entre em contato com nosso DPO. Si considera que el tratamiento no se ajusta a la normativa vigente, puede presentar reclamación ante la AEPD. Mais informação: Política de Proteção de Dados

www.agriterra.pt

Agriterra - Informação profissional para a agricultura portuguesa

Estatuto Editorial