A FIMAP 2026 afirma-se como “uma plataforma onde a indústria portuguesa encontra tecnologia, fornecedores e parceiros para crescer em Portugal e competir melhor no exterior”. Na sua 23.ª edição, o maior certame nacional de máquinas, acessórios e serviços para a indústria da madeira, silvicultura, exploração florestal e biomassa alarga a sua programação a mais um dia de feira, isto é, a mais oportunidades de negócio e networking. O evento realiza-se entre 21 e 24 de outubro, na Exponor (Porto), “com uma dimensão reforçada, quer em número de expositores quer em área ocupada”, como sublinha, em entrevista, Paulo Vaz, administrador da Exponor.
A expectativa é muito positiva. A FIMAP 2026 chega a esta 23.ª edição com uma dimensão reforçada, quer em número de expositores quer em área ocupada, e com uma alteração particularmente significativa: passamos de três para quatro dias de feira, acrescentando um dia dedicado a mais oportunidades de negócio e networking.
Há um dado que considero particularmente revelador da confiança que o mercado deposita na FIMAP: praticamente todas as empresas que estiveram presentes na última edição renovaram a sua participação. Ao mesmo tempo, fomos registando a entrada de novos expositores e um crescimento da área ocupada, ao ponto de o espaço desenhado em planta estar praticamente esgotado. As informações que temos relativamente à procura por parte dos visitantes profissionais apontam também para um crescimento significativo, tendo em conta o volume de convites já solicitado.
Mas não queremos medir o sucesso da FIMAP apenas pelo número de empresas ou de visitantes. O que nos interessa é a qualidade das relações que se estabelecem e a capacidade de gerar negócio. Em 2024, tivemos mais de 70 expositores e mais de seis mil visitantes. E os indicadores dessa edição são muito expressivos: 73% dos expositores geraram oportunidades de negócio durante a feira e 49% dos visitantes procuravam novos fornecedores ou soluções técnicas.
A dimensão internacional é, por isso, estratégica. Ter empresas de Espanha, Áustria, Itália, Suíça, Alemanha, França e Taiwan significa trazer para a EXPONOR tecnologia, equipamentos, conhecimento e marcas de referência mundial. Mas, significa também criar uma ponte entre as empresas portuguesas e mercados externos. A fileira da madeira e do mobiliário tem um forte perfil exportador e a internacionalização continua a ser uma das suas grandes prioridades.
A FIMAP deve ser precisamente isso: uma plataforma onde a indústria portuguesa encontra tecnologia, fornecedores e parceiros para crescer em Portugal e competir melhor no exterior.
Uma das grandes vantagens da FIMAP é precisamente permitir olhar para a fileira como um todo. Não estamos perante uma feira exclusivamente de máquinas para trabalhar madeira. Temos tecnologia florestal e silvicultura, máquinas e equipamentos para a produção florestal, equipamentos para corte e transformação, soluções para resíduos florestais, ferramentas, serviços especializados e, naturalmente, toda a componente ligada à transformação da madeira e ao mobiliário.
Para um profissional agrícola ou florestal, eu diria que vale particularmente a pena prestar atenção às soluções de mecanização e eficiência da exploração, às tecnologias que permitem melhorar a gestão e o acompanhamento da floresta e às soluções de valorização dos resíduos e da biomassa.
Estamos também perante uma transformação tecnológica muito importante. Automação, digitalização, sensores, drones, inteligência artificial e sistemas de monitorização estão a alterar a forma como se gere o território e como se organiza a produção. Nas FIMAP Talks vamos precisamente abordar algumas destas tendências, designadamente a utilização de drones e satélites na gestão florestal e as aplicações da inteligência artificial na otimização de processos e recursos.
E há uma característica da FIMAP que considero essencial: a tecnologia não está apenas exposta; está ali para ser vista, comparada e avaliada por quem trabalha no terreno. O visitante pode conhecer equipamentos, comparar soluções e perceber de que forma determinada tecnologia pode responder a um problema concreto da sua atividade. Em 2024, o tempo médio de permanência na feira foi de quatro horas, o que demonstra esse envolvimento efetivo dos profissionais com a oferta apresentada.
Esta é talvez uma das questões mais importantes que hoje se colocam à fileira florestal portuguesa. Não podemos falar de floresta apenas em termos ambientais ou económicos. Temos de falar também de gestão, prevenção, capacidade de intervenção e criação de valor.
Os efeitos da tempestade Kristin tornaram essa realidade ainda mais evidente. Os ventos extremos provocaram a queda massiva de árvores e uma enorme acumulação de combustível lenhoso, com consequências em matéria de risco de incêndio e problemas fitossanitários. A recuperação de uma situação desta dimensão não é imediata e estima-se que possa exigir dois a três anos.
É aqui que a mecanização e a tecnologia podem fazer uma diferença muito concreta. Uma floresta que se pretende resiliente precisa de ser conhecida, monitorizada, gerida e intervencionada. Precisa de meios para limpar, cortar, transportar, transformar e valorizar aquilo que a floresta produz, incluindo aquilo que resulta da sua gestão.
E a biomassa tem neste contexto uma importância particular. Em Portugal representa já cerca de 8% a 10% da produção elétrica verde nacional e permite transformar resíduos florestais e industriais num recurso energético, contribuindo simultaneamente para a limpeza das florestas, para a prevenção de incêndios e para a redução da dependência de combustíveis fósseis.
A FIMAP não pretende dar respostas políticas a estes problemas. O seu papel é outro, mas é muito importante: colocar à disposição dos profissionais as máquinas, as tecnologias e o conhecimento que lhes permitem responder melhor a esses desafios.
Uma feira profissional contemporânea não pode limitar-se a mostrar produtos. Tem de ajudar os profissionais a compreender aquilo que está a mudar no seu setor e a tomar melhores decisões.
É esse o objetivo das FIMAP Talks. Queremos que a feira seja simultaneamente um espaço de demonstração, de negócio e de conhecimento. Por isso, o programa aborda questões muito concretas que já estão a influenciar as empresas: internacionalização, digitalização, eficiência energética, biomassa, construção em madeira, segurança e produtividade, ligação entre projeto e CNC [Computer Numerical Control, na sigla em inglês] e as novas exigências decorrentes do regulamento europeu da desflorestação e da degradação florestal (EUDR).
Há aqui uma preocupação muito clara de aproximar o debate da realidade das empresas. Não queremos criar uma conferência desligada da feira. Pelo contrário: queremos que aquilo que se discute nas Talks possa ser encontrado, no próprio recinto, nas tecnologias e soluções apresentadas pelos expositores.
É essa ligação entre conhecimento e aplicação prática que nos parece particularmente importante. A FIMAP deve ser um lugar onde se aprende, se compara e, no final, se decide.
Considero este debate particularmente oportuno porque toca numa questão que não pode continuar a ser adiada: que floresta queremos e que modelo de gestão estamos dispostos a construir para a tornar simultaneamente mais resiliente e mais competitiva?
A resiliência não pode significar apenas a capacidade de a floresta resistir a incêndios, tempestades ou outros fenómenos extremos. Tem também de significar capacidade económica, capacidade de regeneração, capacidade de gestão e capacidade de gerar rendimento para quem dela depende.
E competitividade não deve ser entendida como uma oposição à sustentabilidade. Pelo contrário. Uma floresta economicamente valorizada é uma floresta que tem maiores possibilidades de ser cuidada, gerida e renovada. A questão fundamental é encontrarmos um equilíbrio entre proteção, produção e valorização económica.
O setor precisa, por isso, de discutir gestão ativa, dimensão e estrutura da propriedade, mecanização, prevenção de incêndios, ordenamento, valorização dos resíduos, biomassa, inovação tecnológica e capacidade de resposta a fenómenos climáticos extremos.
Mas precisa também de discutir conhecimento e cooperação. Nenhum destes problemas se resolve isoladamente. É necessária uma articulação entre produtores, empresas, associações, academia, administração pública e municípios.
É por isso que valorizamos particularmente a presença da Agriterra neste debate. A FIMAP quer ser um espaço onde diferentes perspetivas da fileira possam encontrar-se e discutir soluções concretas. A mesa-redonda do dia 22 enquadra-se perfeitamente nessa filosofia.
Diria, no essencial, três palavras: tecnologia, conhecimento e negócio.
Primeiro, tecnologia, porque a FIMAP permite ao profissional ver aquilo que está disponível no mercado, comparar máquinas e soluções e perceber como pode aumentar eficiência, produtividade e capacidade de resposta.
Segundo, conhecimento, porque a feira não é apenas uma exposição. As FIMAP Talks permitem acompanhar tendências e discutir problemas concretos que estão a transformar a fileira, da gestão florestal à biomassa, da digitalização à internacionalização.
E terceiro, negócio. A FIMAP é uma feira profissional e tem uma vocação muito clara para criar contactos entre quem procura soluções e quem as fornece. Em 2024, 73% dos expositores afirmaram ter gerado oportunidades de negócio durante o evento e quase metade dos visitantes procurava especificamente novos fornecedores ou soluções técnicas.
E acrescentaria ainda uma quarta palavra: visão.
Porque aquilo que esperamos é que ninguém saia da FIMAP exatamente como entrou. Que saia com um novo contacto, uma nova solução, uma ideia para melhorar a sua atividade, uma tecnologia que desconhecia, uma oportunidade de negócio ou simplesmente uma compreensão mais clara de para onde está a caminhar a fileira.
A FIMAP reúne, num único espaço, todos os elos dessa cadeia — desde a exploração florestal até à transformação da madeira, ao mobiliário e à valorização dos resíduos.
Mais do que visitar uma feira, queremos que os profissionais venham à FIMAP para preparar o futuro das suas empresas e do próprio setor.

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Agriterra - Informação profissional para a agricultura portuguesa