A Fundação Calouste Gulbenkian distinguiu a Alianza Ceibo com o Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2026 em reconhecimento pelo trabalho que desenvolve há uma década a unir comunidades, defender o seu território e promover, a nível mundial, a justiça climática e a proteção ecológica.
A Alianza protege mais de dois milhões de hectares de floresta tropical rica em biodiversidade no Equador, Peru e Colômbia, tendo obtido vitórias jurídicas históricas contra a exploração de recursos e a desflorestação, enquanto fornece água potável e energia renovável às comunidades. Esta organização autónoma, sem fins lucrativos e liderada por povos indígenas, trabalha para proteger terras ancestrais essenciais para o clima na bacia superior do Amazonas, reunindo quatro povos indígenas (A’i Kofán, Siekopai, Siona e Waorani) cujo trabalho se estende pelo Equador, Peru e Colômbia.
Em comunicado, o presidente da Gulbenkian, António Feijó, defende que “a vencedora deste ano é um exemplo poderoso da liderança indígena na luta pela justiça climática num dos ecossistemas mais preciosos da Terra — a floresta amazónica. Perante a adversidade, a Alianza Ceibo uniu esforços além-fronteiras para tomar nas suas mãos o futuro dos seus territórios ancestrais. Mostra-nos o que pode ser alcançado quando nos unimos em torno de um propósito comum”.
Em conjunto, os povos A’i Kofán, Siekopai, Siona e Waorani protegem ativamente mais de dois milhões de hectares de floresta tropical rica em biodiversidade, num dos reservatórios de carbono mais importantes do planeta. A força do modelo único da Alianza Ceibo, liderado pelas comunidades, permitiu alcançar resultados significativos na proteção das suas terras contra a exploração de recursos, incluindo vitórias históricas para travar a desflorestação e assegurar direitos territoriais, bem como a introdução de fontes de energia limpa e de água potável para proteger as comunidades dos rios contaminados pelo petróleo.
A cofundadora da Alianza Ceibo, Nemonte Nenquimo, do povo Waorani, afirma: “aceitamos humildemente este reconhecimento em nosso nome e em nome das nossas comunidades, dos nossos anciãos e dos territórios. Este prémio reconhece a luta que travamos desde os nossos antepassados e demonstra o seu verdadeiro impacto no mundo: os Povos Indígenas, que sempre viveram aqui, são fundamentais para proteger a floresta tropical e encontrar soluções para as alterações climáticas. A Amazónia é vital para o equilíbrio do planeta e, ainda assim, continua a ser destruída. Temos de permanecer firmes na sua defesa porque as nossas vidas dependem dela”.
O júri presidido por Angela Merkel, antiga Chanceler alemã, selecionou a entidade vencedora de entre 304 nomeações de 73 países. Numa altura em que os defensores indígenas da terra enfrentam hostilidade e interferências políticas, a atribuição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade à Alianza Ceibo reconhece o papel fundamental dos Povos Indígenas na salvaguarda de alguns dos ecossistemas mais importantes do mundo.
De acordo com a presidente do júri, Angela Merkel, “o Prémio Gulbenkian para a Humanidade distingue quem demonstra um compromisso excecional com a Terra e com a coexistência global entre as pessoas e o planeta. O Prémio recorda-nos que cada pessoa, onde quer que esteja no mundo, tem o poder de fazer a diferença — e que uma única ação, quando inspira outras pessoas, pode tornar-se uma poderosa força de mudança em todo o mundo”.
Entre as conquistas alcançadas pela Aliança até à data, destacam-se:
• O desenvolvimento de modelos educativos e referenciais curriculares liderados pelas comunidades, cujo reconhecimento oficial pelo Governo equatoriano, em setembro de 2026, constituiu um marco histórico e permitiu a sua adoção pelo sistema público de ensino nos territórios A’i Kofán, Siekopai e Waorani. Este reconhecimento possibilita a integração formal dos conhecimentos ancestrais, das línguas e das cosmovisões destes povos no ensino público, estabelecendo simultaneamente um importante precedente para que outros povos indígenas do Equador possam seguir o mesmo caminho.
• A obtenção de uma decisão judicial histórica que atribuiu ao povo Siekopai o título de propriedade do seu território ancestral;
• A obtenção de uma decisão judicial que anulou 52 concessões mineiras ilegais no território A’i Kofán, protegendo a montante todo o sistema do rio Aguarico;
• A vitória em processos judiciais que estabeleceram um precedente nacional em matéria de Consentimento Livre, Prévio e Informado, um instrumento poderoso que ajuda os Povos Indígenas a contestar a indústria extrativa;
• A instalação de 1.164 sistemas de filtragem de águas pluviais, que dão acesso a água potável a mais de 6.500 pessoas afetadas pela contaminação por petróleo na Amazónia equatoriana e também na Colômbia;
• A construção de 200 sistemas de energia solar, que fornecem eletricidade a 208 agregados familiares, três associações de mulheres, sete escolas e 14 postos de patrulhamento territorial.
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