Nuno Gama Lobo, CEO da Galucho, nas demonstrações no campo realizadas no Aeródromo da Tojeira (Sintra).
Este é o terceiro Dia de campo que fazemos aqui, vocacionado para o mercado nacional. É, acima de tudo, um evento para os nossos distribuidores, para a nossa rede de distribuição em Portugal, para os nossos parceiros e principais clientes e também para os agricultores, que são quem, na realidade, suporta a Galucho, com a sua preferência pela marca. Cada vez mais queremos ter o utilizador final nestes eventos, porque é ele que utiliza as nossas soluções no dia a dia, e quem dá realmente o input para podermos desenvolver novos produtos.
E hoje tivemos aqui uma quantidade muito significativa de agricultores entre os nossos convidados, mais ainda do que de distribuidores, o que nos deixa muito orgulhosos.
A projeção inicial foi de 469 convidados, e estiveram presentes cerca de 330 pessoas. Focámo-nos essencialmente na gama agrícola, embora tenhamos apresentado algumas novidades em equipamentos de transporte, para dar a conhecer a amplitude da produção da nossa empresa. Mas hoje o destaque era 100% agrícola, este é um dia para os nossos agricultores.
Eu destacaria dois produtos. Claramente, o rolo Cambridge de 14 metros e meio, que é a máquina na história da Galucho com a maior largura de trabalho de sempre e, portanto, representa um passo em frente, ambicioso, para outro tipo de mercados, de máquinas e de desafios.
Mercados de cereais, de leste e no centro da Europa, França, Espanha, etc., que utilizam este tipo de equipamento e que são mercados onde tradicionalmente não estávamos tão presentes. Já temos muita experiência em produzir rolos, mas este é o início de um caminho ambicioso para produzir máquinas de maior dimensão e de maior valor acrescentado. Na senda desse caminho, acreditamos que temos aqui um primeiro produto muito interessante. Os testes que já fizemos demonstram, acima de tudo, que é uma máquina extremamente robusta, muito à imagem do que são os produtos Galucho. Não é por acaso que o nosso slogan é ‘Máquinas para a Vida’. O nosso foco é, desde sempre, qualidade, robustez e serviço.
Relativamente ao segundo destaque, a gama de reboques NK é um produto que acreditamos que vai ser diferenciador, como ficou demonstrado no tipo de apresentação que fizemos, e por isso é tão importante para nós. Trata-se de um equipamento de muita qualidade, com uma solução diferenciada no mercado. Ninguém hoje em dia constrói este tipo de equipamentos com a qualidade de materiais que nós utilizamos, nomeadamente a chapa [antidesgaste] de Hardox.
Já obtivemos uma reação inicial no mercado extremamente positiva. Ainda antes de lançarmos oficialmente este reboque, tivemos dezenas de encomendas, o que revela que é um produto que o mercado está ansioso por acolher. Vai ser um grande foco da nossa produção nestes próximos meses, em que queremos gerar uma capacidade de entrega ainda maior, para que possamos ter estes produtos a um preço competitivo, com uma capacidade de execução irrepreensível e no tempo que os nossos agricultores precisam.
Estão disponíveis no mercado. Aliás, temos aqui alguns agricultores que foram convidados exatamente pelo seu interesse neste produto, e nós quisemos que viessem vê-lo ao vivo, testá-lo, para terem a oportunidade de perceber o seu prestígio e potencial diferenciador.
Dividiria a minha análise em duas. Em primeiro lugar, o aumento brutal dos custos de produção para o agricultor, e que todas as empresas sofreram nos últimos três anos. Quer seja o custo da matéria-prima, o custo dos componentes, dos combustíveis ou da mão de obra, tudo aumentou exponencialmente e nenhum fabricante conseguiu refletir integralmente os custos ao seu cliente final. É inviável e impossível. Portanto, estamos todos a ser pressionados por este aumento, na expectativa de que o mercado nivele um pouco, mas com esta conjuntura internacional está a demorar a haver essa correção positiva.
Relativamente à questão da mão-de-obra qualificada, é um problema neste momento mundial, não só de Portugal - acima de tudo europeu e também dos Estados Unidos, onde se começa a sentir com alguma intensidade.
Nós temos conseguido desenvolver algumas medidas, nomeadamente a parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, através da qual implementámos uma escola profissional de serralheiros e soldadores, que já vai no seu sexto curso, onde damos formação credenciada e qualificada a um conjunto de formandos. E depois selecionamos os melhores para integrarem a nossa equipa na fábrica e os restantes entram no mercado de trabalho. Estamos também a apostar no recrutamento internacional para tentar encontrar alternativas, entre outras medidas que desenvolvemos nos últimos meses, e que nas próximas semanas vão começar a gerar resultados.
Temos neste momento a maior carteira de encomendas da história da Galuxo dos últimos 40 anos, portanto, há muito negócio e muitas encomendas para satisfazer e estamos a reforçar a nossa equipa de uma forma substancial. O objetivo é, nos próximos dois meses, conseguirmos reforçar em cerca de 20% a nossa capacidade de trabalho.
E porquê este investimento? Porque, entre matéria-prima e componentes, dispomos atualmente de cerca de 14 milhões de euros de material para a nossa produção, o que demonstra bem não só a solidez financeira da empresa, mas também o investimento que estamos a fazer no futuro. Hoje em dia o lead time de fornecimento demora muito tempo, os preços são muito flutuantes e quem tiver esta robustez consegue ter uma capacidade de resposta totalmente diferente para servir os seus clientes.
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