A Galucho aproveitou o Dia de Campo 2026, realizado a 23 de setembro, para apresentar nove novidades da sua gama agrícola e colocá-las em demonstração perante distribuidores, parceiros e agricultores. Entre reboques, equipamentos de preparação do solo e soluções para diferentes operações agrícolas, o novo NK destacou-se pela sua altura do topo da caixa ao solo inferior a três metros.
Mais do que uma apresentação de catálogo, o Dia de Campo Galucho 2026 levou as novidades para o terreno. Na terceira edição do evento, a fabricante portuguesa abriu as portas das suas instalações, em São João das Lampas (Sintra), e levou depois os equipamentos até ao Aeródromo da Tojeira, onde foram realizadas demonstrações ao vivo perante distribuidores, parceiros e agricultores. Entre as máquinas apresentadas, o novo Reboque NK assumiu particular destaque. Desenvolvido para operações de transporte, apresenta uma caixa metálica monocoque de grande cubicagem, com 1,5 metros de altura, construída em aço resistente ao desgaste. A caixa tem formato cónico, para facilitar o escoamento do material, enquanto o chassis reforçado assegura elevada rigidez torsional. A gama inclui configurações em que a altura do topo da caixa ao solo é inferior a três metros. O NK incorpora porta hidráulica de duplo efeito estanque. Nos modelos NK 10 a NK 18, dispõe de eixos bogie com molas multi-lâmina; no NK 24, de um sistema tridem com dois eixos autodirecionais. A lança de engate pode incluir descanso hidráulico e nove configurações de regulação em altura. A gama dispõe ainda de vários opcionais. A proposta conjuga resistência superior ao desgaste, facilidade de descarga e adaptação às necessidades do utilizador.
Também o R-UP reforça a oferta de reboques. Trata-se de um reboque elevatório de 10 m³, concebido para permitir descarga a uma altura superior a três metros. Recorre a uma tesoura tubular de elevação reforçada e a um chassis com elevada resistência à torção que garantem maior estabilidade, enquanto a caixa cónica facilita o escoamento do material. Os cilindros hidráulicos são sobredimensionados e a gama pode receber diferentes sistemas de travagem e outros acessórios.
Outro equipamento em evidência foi o Rolo Cambridge, uma das soluções de maior capacidade de trabalho apresentadas no evento. A nova gama chega aos 14,5 metros de largura de trabalho e inclui modelos de menor largura. O equipamento apresentado tinha cinco secções e cerca de 1.000 quilos. O sistema controla hidraulicamente abertura, fecho, elevação e descida das secções; os pneus de grande dimensão contribuem para reduzir a compactação. Ideal para consolidação e regularização, o Rolo Cambridge pode ser utilizado na preparação da cama de sementeira e no rolamento de pastagens. A configuração prevê corpos com nivelamento independente, anéis de 550 milímetros e largura de transporte de 2,55 metros. Entre os opcionais encontram-se rolo destorroador e kit semeador.
Já o Rolo de Facas apresenta uma configuração articulada frontal, podendo trabalhar isoladamente ou combinado com uma grade. O objetivo é cortar e integrar no solo culturas de cobertura e restolho, preparando a posterior mobilização e incorporação da matéria orgânica. Os rolos têm 330 milímetros de diâmetro e as facas são fabricadas em material resistente ao desgaste. A estrutura inclui corpos independentes para maior contacto com o terreno e foi desenvolvida para trabalhar com mínima perturbação do solo.
Ainda no trabalho do solo, a Galucho apresentou uma nova Grade Combinada, concebida para concentrar várias operações numa única passagem, adaptando-se aos vários tipos de terreno e de cultura. Combina duas linhas de discos com ajusto hidráulico, três filas de dentes e um rolo traseiro, com profundidade ajustável entre cinco e 30 centímetros. Permite realizar corte e incorporação, mobilização e descompactação, nivelamento e reconsolidação. Esta grade pesada permite a preparação intensiva do solo, reduzindo a necessidade de utilizar várias máquinas.
Disponível com cinco ou seis metros de largura de trabalho, a GDR Articulada foi desenvolvida para aumentar o rendimento por hectare. Pode trabalhar superficialmente ou a média profundidade, até 15 centímetros, com velocidade de trabalho indicada de até 20 quilómetros/hora. Complementar à gama existente, esta grade é indicada para atuar na preparação da cama de sementeira e para incorporação de matéria orgânica e controlo mecânico de ervas. Como equipamento opcional, dispõe de um kit semeador.
A gama apresentada incluiu ainda uma Pá Niveladora hidráulica, de três movimentos. Destinada à regularização e nivelamento do solo, possui lâmina ajustável e deslocamento lateral, permitindo diferentes posições de trabalho. A construção foi pensada para trabalhos agrícolas exigentes e manutenção de terrenos. A lâmina é de chapa de sete milímetros e integra relhas ou lâminas de corte temperadas.
Na distribuição de chorume, a Galucho apresentou o novo Localizador Cisterna, concebido para uma aplicação uniforme, com corpos de abastecimento independentes e possibilidade de incorporar um cortador. Cada corpo dispõe de seis espalhadores. Este localizador traseiro articulado inclui ainda estrutura galvanizada a quente para proteção anticorrosão, mangueira reforçada, contador de palhas, controlo da velocidade de abertura e fecho e sistemas de segurança.
No transporte de animais, a novidade é o Transcow. O reboque combina suspensão hidráulica com traseira rebaixável, solução que facilita a entrada e saída dos animais. Inclui piso interior antiderrapante, rodas de maior largura e diferentes configurações de barreiras interiores. A lança tem altura regulável e pode receber toldo, barreiras telescópicas, sistemas de travagem e outros acessórios.
No conjunto, as novidades abrangem preparação e mobilização do solo, incorporação de resíduos e culturas de cobertura, consolidação e sementeira, distribuição de chorume, transporte de materiais e transporte de gado. As demonstrações ao vivo deram aos distribuidores, parceiros e agricultores presentes a possibilidade de acompanhar os equipamentos em funcionamento e conhecer diretamente as soluções da gama agrícola da Galucho.
Como sublinhou, no Aeródromo da Tojeira, Nuno Gama Lobo “um evento destes não se faz sem dedicação e, acima de tudo, sem uma equipa comprometida”. O CEO da Galucho falava no momento de apresentação da gama NK, reiterando que se trata de “um equipamento para o futuro, com uma qualidade de construção diferenciada” que “graças ao trabalho dos nossos distribuidores e parceiros, será um sucesso de vendas”.
Com esta apresentação, a fabricante de soluções agrícolas e de transporte colocou em destaque uma oferta alargada, com equipamentos de diferentes dimensões e funções e várias possibilidades de configuração. Do NK, vocacionado para o transporte e descarga de materiais, ao Cambridge, orientado para operações de grande largura, passando pelas soluções de mobilização e nivelamento, o Dia de Campo 2026 serviu de montra para as nove novidades Galucho e para a sua aplicação prática no terreno.
Da chapa à máquina acabada: por dentro da fábrica da Galucho
A terceira edição do Dia de Campo da Galucho arrancou com visitas à fábrica, na sede da empresa em São João das Lampas, organizadas em vários grupos para acolher as mais de duas centenas de participantes. Guiado por Rui Geraldes, industrial manager da Galucho, o grupo que a Agriterra integrou percorreu diferentes áreas da unidade, acompanhando o percurso dos materiais até à produção, pintura e montagem.
A visita começou na secção de corte e quinagem. A Galucho dispõe de processos tradicionais, como guilhotinas e serrotes, mas também de laser e plasma. O laser trabalha atualmente em três turnos, seis dias por semana, com elevada utilização. Por isso, a empresa tem em plano a aquisição de um novo laser, num investimento superior a um milhão de euros, avançou Rui Geraldes. O plasma permite cortar peças até 12 metros, nomeadamente componentes de chassis e laterais de equipamentos de transporte. A chapa utilizada pela empresa tem proveniência 100% europeia.
Na área das alfaias agrícolas, os visitantes observaram uma produção onde a soldadura tem uma componente significativa de robotização. “Temos uma parte importante da produção robotizada, concretamente a soldadura”, explicou o diretor de produção, acrescentando que a Galucho pretende avançar ainda mais na automatização, para responder às dificuldades de mão de obra e melhorar a qualidade através da standardização dos processos. A maior parte da produção destes equipamentos envolve também moldes, utilizados para aumentar a produtividade e garantir flexibilidade na execução e montagem.
Seguiu-se a secção dos reboques agrícolas, que a empresa está a potenciar para conseguir dar uma resposta mais atempada aos clientes. A área tem capacidade para produzir dezenas de reboques por mês. Foi também aqui que Rui Geraldes explicou a construção do novo NK. Os chassis são soldados por robô e a caixa é depois produzida na divisão de transportes. O responsável explicou que o NK segue "uma nova filosofia de construção, mais próxima da utilizada nos transportes", com uma caixa em Hardox e maior robustez.
A visita prosseguiu pela secção de transportes, uma área que nos últimos seis a sete anos, “cresceu 25 vezes — e não 25%”, como notou Rui Geraldes. O crescimento da atividade de transportes em Portugal e Espanha fez com que esta área da empresa já tenha ultrapassado a da agricultura.
Na secção de material agrícola, os participantes acompanharam as fases de acabamento. Depois da produção, os equipamentos passam pela capagem, automática nos chassis e peças maiores e manual nas mais pequenas. Seguem-se a pintura e a montagem final. A empresa está a trabalhar numa organização da linha com uma “filosofia automóvel”, procurando que o operador se mova o menos possível e que seja o material a fluir. Esta será a próxima linha a passar a dois turnos, numa aposta na produtividade, e a Galucho tem em vista a aquisição de uma quarta cabine de pintura.
A visita incluiu ainda a área de máquinas CNC (Controlo Numérico Computorizado), isto é, das máquinas-ferramenta controladas por computador, utilizadas para maquinar peças com precisão. Na secção de automação, Rui Geraldes destacou a capacidade interna da empresa nesta área: “Temos know-how interno para produzir todas estas peças maquinadas, que depois vão ser incorporadas em conjunto”.
O percurso mostrou, assim, os processos que estão por trás das máquinas apresentadas no Dia de Campo, permitindo aos participantes conhecer por dentro uma parte da estrutura industrial que suporta a produção da Galucho.
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