Chaparro Agrícola e Industrial, S.L.
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Investimento no regadio: 111 projetos aguardam financiamento de 1,1 mil milhões de euros

26/10/2026

A FENAREG alerta que o adiamento dos investimentos previstos na estratégia ‘Água que Une’ poderá custar mais de 5,4 mil milhões de euros à economia portuguesa numa década. As XVII Jornadas FENAREG realizam-se a 18 e 19 de novembro, em Reguengos de Monsaraz.

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Portugal tem 111 projetos de regadio identificados, que representam um investimento de cerca de 1,1 mil milhões de euros e visam modernizar infraestruturas, reduzir perdas de água e energia e reforçar a capacidade de armazenamento e distribuição. O alerta é da Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG), que defende a necessidade de transformar a estratégia nacional ‘Água que Une’ em obras concretas, com financiamento e prazos de execução definidos.

O tema estará em destaque nas XVII Jornadas FENAREG – Encontro Regadio 2026, que decorrem nos dias 18 e 19 de novembro, em Reguengos de Monsaraz. O encontro, organizado em parceria com o município, reunirá responsáveis políticos, entidades públicas, associações de regantes, agricultores e especialistas para debater o futuro do regadio português.

A carteira identificada pela Federação inclui intervenções de reabilitação, modernização e reforço da segurança das infraestruturas hidroagrícolas, abrangendo projetos em diferentes fases de desenvolvimento, alguns já preparados para avançar para obra.

Segundo as estimativas da FENAREG, as necessidades de investimento no regadio coletivo ascendem a cerca de 2 mil milhões de euros até 2030. A Federação alerta ainda que uma década de atraso na concretização dos investimentos agrícolas associados à estratégia ‘Água que Une’ poderá representar um custo superior a 5,4 mil milhões de euros para a economia nacional.

“Portugal já conhece as necessidades e dispõe de projetos concretos. A questão que se coloca agora é saber quais avançam primeiro, como serão financiados e quando começam as obras”, afirma José Núncio, presidente da FENAREG, sublinhando que o adiamento prolonga as perdas de água, aumenta os custos de manutenção e limita a capacidade de produção alimentar do país.

Água e segurança alimentar: desafios para a agricultura

A capacidade de armazenamento de água é outro dos temas centrais do debate. De acordo com a FENAREG, Portugal consegue armazenar apenas o equivalente a cerca de 20% das afluências anuais, ficando mais exposto à irregularidade da precipitação, às diferenças regionais de disponibilidade hídrica e aos períodos de seca.

Neste contexto, o reforço das infraestruturas de armazenamento e distribuição e a utilização eficiente da água assumem uma importância estratégica para a agricultura. Uma maior previsibilidade no acesso a este recurso permite criar condições para uma produção agrícola mais regular, reduzir a vulnerabilidade às condições meteorológicas e reforçar a capacidade de abastecimento do mercado nacional.

A Federação considera, por isso, que a segurança alimentar deve estar no centro das decisões sobre a gestão da água e o investimento agrícola. A capacidade de produzir alimentos em Portugal depende também da existência de infraestruturas que permitam armazenar e disponibilizar água nos períodos em que esta é mais necessária.

As Jornadas FENAREG vão abordar, entre outros temas, o financiamento dos investimentos, o papel do regadio coletivo na Política Agrícola Comum após 2027 e a articulação entre as entidades responsáveis pela gestão dos recursos hídricos.

Reguengos de Monsaraz evidencia o impacto do regadio

A realização do encontro em Reguengos de Monsaraz permitirá destacar o impacto dos investimentos hidroagrícolas no desenvolvimento regional. O programa das Jornadas inclui os painéis ‘Bloco de Rega de Reguengos: o futuro da região’ e ‘Água que Une – Da estratégia à execução: o novo ciclo de investimento no regadio português’. Para 19 de novembro está prevista uma visita técnica às obras do Circuito Hidráulico de Reguengos, à reabilitação do aproveitamento hidroagrícola do Lucefecit e a uma exploração agrícola da região.

O Circuito Hidráulico de Reguengos e os respetivos blocos representam um investimento superior a 88 milhões de euros e deverão beneficiar cerca de 10.273 hectares. Deste conjunto faz parte o Bloco de Rega de Reguengos, que abrangerá aproximadamente 4.786 hectares numa região marcada pela produção de vinho, pelo olival e pela pequena propriedade agrícola. O projeto pretende criar melhores condições para a atividade agrícola, favorecer a atração de investimento e contribuir para a criação e retenção de valor económico no território.

Segundo comunicado da FENAREG, a concretização dos projetos identificados e a definição de prioridades, financiamento e calendário de execução serão determinantes para reforçar a competitividade da agricultura portuguesa e a resiliência do setor face aos desafios climáticos.

Programa e inscrições: www.fenareg.pt

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